O rei dos Asante, Otumfuo Osei Tutu II, recebeu mais de 130 artefatos de ouro e bronze devolvidos ao Gana pelo Reino Unido e pela África do Sul. Os itens incluem insígnias reais, tambores e pesos cerimoniais de ouro. As peças, com datação entre 45 e 160 anos, retratam sistemas de governança, crenças espirituais e o papel do ouro na sociedade Asante.
Durante a cerimônia no dia 9 de novembro, o rei Asante agradeceu à AngloGold Ashanti, uma empresa de mineração sul-africana, pela devolução de vários itens adquiridos no mercado aberto. A empresa já havia devolvido artefatos a Gana em 2024.
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A última repatriação incluiu 110 artefatos da coleção do Museu Barbier-Muller, em Genebra, reunida pelo colecionador Josef Muller em 1904.
Outros 25 itens foram doados pela historiadora de arte britânica Hermione Waterfield, que fundou o Departamento de Arte Tribal da Christie’s em 1971. Segundo o diretor do Museu do Palácio Manhyia, Ivor Agyeman-Duah, os presentes de Waterfield incluem um tambor de madeira que teria sido apreendido durante o cerco de Kumasi por forças coloniais britânicas em 1900.
O contexto do saque e a “alma do povo”
Este retorno ocorre após outras movimentações em 2024. Naquele ano, o Museu do Palácio Manhyia recebeu 67 objetos (restituídos ou emprestados) de instituições como o Museu Britânico, o Museu Vitória e Alberto (V&A) em Londres e o Museu Fowler em Los Angeles.
A devolução dos itens do V&A, por exemplo, marcou a primeira exibição das insígnias de ouro Asante em Kumasi em mais de 150 anos. A exposição “Homecoming: Adversity and Commemoration” (Retorno ao Lar: Adversidade e Comemoração, em tradução livre) foi inaugurada pelo Asantehene Otumfuo Osei Tutu II como parte das celebrações de seu jubileu de prata.
As insígnias de ouro têm um significado cultural e espiritual para a identidade Asante. Na inauguração da exposição de 2024, o Asantehene descreveu a regalia como “a alma do povo de Asante”. Desde a fundação do império Asante no final do século XVII, o ouro é central para a identidade e estabilidade econômica do reino.
Os 17 itens do V&A, incluindo um cachimbo da paz de ouro (abua) e insígnias usadas para purificar a alma do rei (akrafokonmu), simbolizam o trauma histórico. Elas estavam entre centenas de peças saqueadas por tropas britânicas do palácio real em Kumasi em 4 de fevereiro de 1874, durante as Guerras Anglo-Asante. Muitas foram posteriormente vendidas em leilão e dispersas entre museus e colecionadores privados.
Além dos itens já resgatados, o Gana pretende negociar a devolução de outros objetos presentes no Museu Britânico e em museus alemães e franceses. O país africano colonizado pelo Reino Unido até 1957 também articula a construção de programas de memória pública voltados a jovens e diáspora.