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Gana recupera mais de 130 artefatos históricos do Reino Unido e da África do Sul

Rei dos Asante readquiriu itens de ouro e bronze saqueados durante o período colonial em nova repatriação; Peças retornam ao Museu do Palácio Manhyia em Kumasi
Otumfuo Osei Tutu II, rei Asante de Gana, recebe artefatos devolvidos pelo Museu Fowler da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) ao Palácio Manhyia em Kumasi, Gana, em 8 de fevereiro de 2024.

Otumfuo Osei Tutu II, rei Asante de Gana, recebe artefatos devolvidos pelo Museu Fowler da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) ao Palácio Manhyia em Kumasi, Gana, em 8 de fevereiro de 2024.

— Nipah Dennis/AFP

16 de novembro de 2025

O rei dos Asante, Otumfuo Osei Tutu II, recebeu mais de 130 artefatos de ouro e bronze devolvidos ao Gana pelo Reino Unido e pela África do Sul. Os itens incluem insígnias reais, tambores e pesos cerimoniais de ouro. As peças, com datação entre 45 e 160 anos, retratam sistemas de governança, crenças espirituais e o papel do ouro na sociedade Asante.

Durante a cerimônia no dia 9 de novembro, o rei Asante agradeceu à AngloGold Ashanti, uma empresa de mineração sul-africana, pela devolução de vários itens adquiridos no mercado aberto. A empresa já havia devolvido artefatos a Gana em 2024.

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A última repatriação incluiu 110 artefatos da coleção do Museu Barbier-Muller, em Genebra, reunida pelo colecionador Josef Muller em 1904.

Outros 25 itens foram doados pela historiadora de arte britânica Hermione Waterfield, que fundou o Departamento de Arte Tribal da Christie’s em 1971. Segundo o diretor do Museu do Palácio Manhyia, Ivor Agyeman-Duah, os presentes de Waterfield incluem um tambor de madeira que teria sido apreendido durante o cerco de Kumasi por forças coloniais britânicas em 1900.

O contexto do saque e a “alma do povo”

Este retorno ocorre após outras movimentações em 2024. Naquele ano, o Museu do Palácio Manhyia recebeu 67 objetos (restituídos ou emprestados) de instituições como o Museu Britânico, o Museu Vitória e Alberto (V&A) em Londres e o Museu Fowler em Los Angeles.

A devolução dos itens do V&A, por exemplo, marcou a primeira exibição das insígnias de ouro Asante em Kumasi em mais de 150 anos. A exposição “Homecoming: Adversity and Commemoration” (Retorno ao Lar: Adversidade e Comemoração, em tradução livre) foi inaugurada pelo Asantehene Otumfuo Osei Tutu II como parte das celebrações de seu jubileu de prata.

As insígnias de ouro têm um significado cultural e espiritual para a identidade Asante. Na inauguração da exposição de 2024, o Asantehene descreveu a regalia como “a alma do povo de Asante”. Desde a fundação do império Asante no final do século XVII, o ouro é central para a identidade e estabilidade econômica do reino.

Os 17 itens do V&A, incluindo um cachimbo da paz de ouro (abua) e insígnias usadas para purificar a alma do rei (akrafokonmu), simbolizam o trauma histórico. Elas estavam entre centenas de peças saqueadas por tropas britânicas do palácio real em Kumasi em 4 de fevereiro de 1874, durante as Guerras Anglo-Asante. Muitas foram posteriormente vendidas em leilão e dispersas entre museus e colecionadores privados.


Além dos itens já resgatados, o Gana pretende negociar a devolução de outros objetos presentes no Museu Britânico e em museus alemães e franceses. O país africano colonizado pelo Reino Unido até 1957 também articula a construção de programas de memória pública voltados a jovens e diáspora.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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