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Guiné aguarda primeiros resultados de eleição que pode consolidar líder militar que tomou o poder no país

Autoridades anunciam apuração em andamento e alta participação; oposição boicotou pleito e questiona números oficiais
Um retrato do presidente da Guiné e candidato presidencial Mamady Doumbouya é visto ao lado de urnas cheias de material eleitoral na prefeitura de Kaloum, em Conacri, em 29 de dezembro de 2025.

Um retrato do presidente da Guiné e candidato presidencial Mamady Doumbouya é visto ao lado de urnas cheias de material eleitoral na prefeitura de Kaloum, em Conacri, em 29 de dezembro de 2025.

— Patrick Meinhardt/AFP

29 de dezembro de 2025

Os primeiros resultados da eleição presidencial da Guiné devem ser divulgados nesta segunda-feira (29), segundo autoridades eleitorais. O general Mamady Doumbouya, que assumiu o poder após um golpe em 2021, é o principal candidato. Um movimento civil questionou o alto índice de participação eleitoral anunciado pelo governo.

A diretora-geral das eleições, Djenabou Toure, informou que a contagem de votos está em processo. Ela afirmou que a apuração, manual e informatizada, já permite a coleta dos primeiros dados e que resultados parciais seriam divulgados ainda no dia 29.

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A votação ocorreu sem a participação dos principais líderes da oposição, que foram impedidos de concorrer e defenderam o boicote ao pleito. Entre os excluídos estão o ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo, que vive no exílio, o ex-presidente Alpha Condé e o ex-premiê Sidya Touré, ambos acima do limite etário estabelecido pela nova Constituição.

Apesar disso, a Direção-Geral das Eleições anunciou taxa de comparecimento de 85%. O número foi questionado pela Frente Nacional para a Defesa da Constituição (FNDC), movimento que defende o retorno do governo civil. Em nota, a organização afirmou que a maioria da população optou por não participar do que classificou como uma encenação eleitoral, sem apresentar dados próprios.

Cerca de 6,8 milhões de eleitores estavam aptos a votar, incluindo aproximadamente 125 mil guineenses residentes no exterior.

Mudanças constitucionais e ampliação de mandatos

Em setembro, um referendo aprovou uma nova Constituição que autorizou os integrantes da junta militar a disputar eleições. A mudança abriu caminho para a candidatura de Doumbouya, que havia prometido inicialmente não concorrer e devolver o poder aos civis até o fim de 2024.

O novo texto constitucional também ampliou o mandato presidencial de cinco para sete anos, com possibilidade de uma reeleição. Desde a tomada do poder em setembro de 2021, o governo militar restringiu protestos, prendeu opositores e manteve parte da liderança política fora do país.

Na véspera da eleição, forças de segurança afirmaram ter neutralizado integrantes de um grupo armado na periferia da capital, Conacri, sob a alegação de ameaça à segurança nacional. No dia seguinte ao pleito, veículos blindados permaneceram posicionados em pontos da cidade, enquanto serviços públicos e mercados retomaram o funcionamento.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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