No sábado (3), o governo do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo — no poder há 47 anos — decretou a transferência da capital do país de Malabo para Ciudad de la Paz. A mudança teria razões estratégicas. Segundo o decreto, as instituições do país, o único de língua espanhola na África, têm um ano para concluir a transferência.
Os planos para a mudança da capital estão em andamento desde 2008, segundo informações da agência francesa AFP. A antiga capital, Malabo, está localizada na ilha de Bioko, e fica separada da porção continental da Guiné Equatorial.
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Segundo o texto do decreto, os serviços presidenciais, poderes do Estado, órgãos constitucionais, agências governamentais e empresas públicas tomarão as medidas necessárias para se transferirem para a nova capital no prazo de um ano. O documento oficial não especificou se as embaixadas também serão transferidas.
Entre as justificativas apresentadas no texto para a mudança está o rápido crescimento urbano de Malabo e da capital econômica, Bata, nos últimos anos, em decorrência de diversos fatores.
“A Ciudad de la Paz, por sua localização geográfica estratégica, suas potencialidades de expansão urbana, sua capacidade para acolher infraestruturas administrativas modernas e sua conectividade com outras regiões, apresenta-se como a opção ideal para sediar a capital da República da Guiné Equatorial”, diz o decreto assinado por Mbassogo.
O presidente Mbasogo é acusado por organizações nacionais e internacionais por corrupção sistêmica e por não permitir um sistema plenamente democrático no país. Em entrevista à Alma Preta, em outubro de 2025, o advogado Tutu Alicante, ativista dos direitos humanos e fundador da EGJustice, organização de combate à corrupção transnacional ligada à Guiné Equatorial, fez uma série de denúncias contra o governo de Mbasogo. Você pode assistir à entrevista completa no YouTube.