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Hospitais da Cruz Vermelha no Sudão do Sul registram maior número de feridos por armas desde 2018

Escalada da violência elevou para quase mil o total de pessoas atendidas em 2025; atrasos no acesso a cuidados reduzem chances de sobrevivência
Civil do Sudão do Sul sendo tratado por um médico indiano.

Civil do Sudão do Sul sendo tratado por um médico indiano.

— Samuel Adwok/UNMISS

28 de novembro de 2025

Quase mil pessoas feridas por armas foram atendidas este ano em hospitais apoiados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Sudão do Sul. O número é o mais alto registrado desde 2018 e reflete a intensificação dos confrontos no país, marcada pelo aumento de casos de vítimas de tiros, explosões e outros armamentos.

A violência crescente pressiona unidades de saúde, sobretudo em regiões remotas. Muitos pacientes chegam aos hospitais após longos atrasos, o que reduz drasticamente as chances de sobrevivência e exige intervenções cirúrgicas complexas.

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Paul Gabriel Renze, internado no Hospital Militar de Juba — administrado com apoio do CICV —, contou ter sobrevivido a um ataque no qual sete pessoas morreram. Ele foi atingido por três disparos, esperou três dias sem atendimento e só foi resgatado após ser encontrado por moradores da região.

“Atiraram na minha cintura e nas duas pernas. Após três dias, minhas feridas apodreciam e criavam vermes. Os sete corpos também apodreciam. Felizmente, alguém passou e me viu, e correu imediatamente para contar a outras pessoas sobre mim”, disse em relato à CICV.

Paul foi evacuado pelo CICV do condado de Nagero para Juba, onde passou por múltiplas cirurgias e segue em recuperação. Como muitos pacientes no Sudão do Sul, ele esperou vários dias antes de receber o primeiro atendimento médico, o que complicou o trabalho das equipes cirúrgicas.

Segundo nota, o CICV conseguiu transferir por via aérea quase 400 pacientes em 2025, permitindo acesso mais rápido à cirurgia em locais estruturados.

Reabilitação física cresce e atende número recorde de pessoas

Nos últimos oito anos, equipes cirúrgicas apoiadas pelo CICV realizaram mais de 25 mil cirurgias em cerca de cinco mil pessoas feridas por armas. Para a maioria dos pacientes, a cirurgia representa apenas a primeira etapa de um processo de reabilitação prolongado.

“O princípio básico é salvar vidas e salvar membros. Depois disso, ampliamos a abordagem para pensar na recuperação completa”, afirmou o cirurgião Slobodan Miroslavljev, responsável por centenas de procedimentos no Hospital Militar de Juba.

A demanda por reabilitação física também aumentou. Em 2025, mais de 3.700 pessoas passaram por tratamento em centros apoiados pelo CICV em Juba, Wau e Rumbek, o maior número em dez anos. No ano anterior, foram 3.300 atendimentos.

Os centros fornecem próteses, muletas, cadeiras de rodas e fisioterapia para auxiliar pacientes a recuperar mobilidade e autonomia.

Fatores de aumento

O aumento de pacientes é resultado de múltiplos fatores, segundo Oluwafifunmi Odunowo. Um desses fatores é o efeito do conflito no Sudão, país vizinho.

“Nós vimos um crescimento nos números de pessoas do Sudão, sejam refugiados ou repatriados do Sudão, que buscam acesso aos serviços de reabilitação física. Globalmente, neste ano comparado com o ano passado, o aumento é de cerca de 40%”, relatou

Os efeitos combinados do conflito no Sudão do Sul e Sudão, a violência intercomunitária e inundações graves ao longo do ano devastaram comunidades e agravaram uma das crises humanitárias mais duradouras do mundo.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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