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O mundo deve agir agora para deter as ‘atrocidades horríveis’ no Sudão, alerta ONU

Alto Comissariado de Direitos Humanos afirma que crimes em massa em El-Fasher continuam em curso e que o mundo não deve esperar por uma declaração formal de genocídio
Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

Esta foto de satélite obtida em 11 de agosto do Planet Labs PBC e datada de 10 de agosto de 2025 mostra uma vista do aeroporto em Nyala, capital do estado de Darfur do Sul, região de fronteira do Sudão do Sul.

— 2025 Planet Labs PBC/AFP

10 de novembro de 2025

O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta segunda-feira (10) que o mundo deve agir imediatamente para interromper as “atrocidades horríveis” em El-Fasher, no Sudão. Ele insistiu aos países a não esperarem uma declaração formal de “genocídio” para tomar uma atitude.

As Forças de Apoio Rápido (FAR), em guerra com o exército regular desde abril de 2023, capturaram a cidade em 26 de outubro. El-Fasher era o último reduto militar na região de Darfur. Desde a tomada, a ONU e monitores de direitos humanos relatam atrocidades generalizadas, incluindo assassinatos e sequestros por motivos étnicos.

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“Está claro que crimes de atrocidade ocorrem enquanto falamos”, disse Turk à Agence France-Presse (AFP) em entrevista. Ele ressaltou que o próprio cerco de 18 meses à cidade foi um “crime de atrocidade”.

Fome, execuções e estupros

Turk relatou a situação da população durante o cerco. “As pessoas estavam sitiadas em condições horríveis, sem comida, quase sem água. Temos relatos de pessoas que tiveram que comer ração animal, por exemplo, casca de amendoim”, disse.

Ele apontou a declaração de fome em algumas partes como um sinal de “desespero”, com “crianças morrendo de fome”.

Desde que as FAR tomaram a cidade, o escritório de Turk recebeu “provas críveis de assassinatos em massa”. “Quando as pessoas tentam fugir desta situação horrível, elas são alvejadas”, afirmou.

“Há relatos muito sérios de estupro, violência sexual e estupro coletivo, (e) temos questões muito sérias de assassinatos daqueles que são supostamente colaboradores”, completou.

Risco de genocídio e expansão do conflito

Questionado se um genocídio poderia estar em andamento, Turk enfatizou que a qualificação cabe às autoridades tradicionais. “Mas não deveríamos esperar por nada disso. Deveríamos agir agora, enquanto essas atrocidades horríveis são cometidas”, insistiu. “Você não precisa esperar que um tribunal decida que foi genocídio”.

O chefe de direitos humanos da ONU afirmou que existem temores de que as atrocidades vistas em El-Fasher possam se repetir na região de Kordofan, rica em petróleo. “Espero que a comunidade internacional realmente acorde”, disse, lamentando que “todos os avisos” dados ao longo do ano “não foram ouvidos”.

Turk alertou que é vital garantir que “não haja uma repetição de coisas semelhantes em Kordofan do Norte”, e advertiu que “os sinais para isso são extremamente preocupantes”.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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