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Jogadores africanos podem pagar taxa para entrar nos EUA na Copa 2026

Política migratória dos EUA exige caução para visto e pode afetar seleções africanas e torcedores
O atacante Senegal, Sadio Mané, durante a partida de futebol das oitavas de final da Copa Africana de Nações (CAN) entre Senegal e Sudão, no Estádio Grand, em Tânger, em 3 de janeiro de 2026.

O atacante Senegal, Sadio Mané, durante a partida de futebol das oitavas de final da Copa Africana de Nações (CAN) entre Senegal e Sudão, no Estádio Grand, em Tânger, em 3 de janeiro de 2026.

— Gabriel Bouys/AFP

31 de março de 2026

Uma política migratória ampliada durante o governo de Donald Trump pode exigir que jogadores e torcedores de cinco países africanos classificados para a Copa do Mundo desembolsem até US$ 15 mil (cerca de R$ 78,7 mil) como caução para obter visto de entrada nos Estados Unidos durante o torneio.

O chamado “Visa Bond Pilot Program” (Programa Piloto de Caução de Visto) integra medidas de restrição à imigração adotadas pelo Departamento de Estado dos EUA. Em vigor desde agosto de 2025, o programa exige que solicitantes dos vistos de visitante B-1 (negócios) e B-2 (turismo) depositem valores entre US$ 5 mil (cerca de R$ 26 mil) e US$ 15 mil. 

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O valor é reembolsado integralmente caso o visitante deixe o país dentro do prazo estipulado.

Segundo o jornal estadunidense The Athletic, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) tem pressionado o governo para isentar jogadores e membros das comissões técnicas da exigência. Até o momento, no entanto, não há garantia que a medida seja flexibilizada, incluindo os torcedores.

O governo dos EUA justifica a política como uma forma de combater a imigração irregular. A iniciativa se alinha a outras políticas de endurecimento das regras migratórias adotadas pela administração de Trump.

Leia mais: Cabo Verde faz história e se classifica pela 1ª vez para a Copa do Mundo

A medida pode afetar cidadãos de cerca de 50 países. Entre os países africanos classificados para o Mundial estão Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia, que estão na lista. Federações dessas seleções já manifestaram preocupação junto da FIFA, que tenta negociar uma solução a poucos meses do início da competição.

O valor da caução, somado aos custos elevados de passagens, hospedagem e ingressos, representa um obstáculo significativo para torcedores que pretendem acompanhar suas seleções. Como a cobrança é individual, o impacto financeiro se multiplica.

Considerando uma delegação com 26 jogadores, o total em cauções pode chegar a US$ 400 mil (cerca de R$ 2,1 milhões). Além disso, há preocupação com a emissão crescente de vistos de entrada única, o que pode dificultar a logística das seleções ao longo do torneio.

A Tunísia, por exemplo, tem um jogo da fase de grupos marcado nos Estados Unidos e outros dois no México. Senegal e Costa do Marfim disputarão duas partidas nos EUA e uma no Canadá. 

Já Argélia e Cabo Verde jogarão todas as partidas da fase de grupos no México, mas podem precisar retornar aos EUA em fases eliminatórias, o que amplia os desafios logísticos e financeiros.

Leia mais:  Trump cancela emissão de vistos para cidadãos de 75 países, incluindo Brasil e 25 nações africanas

Com informações do GE.

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  • Thayná Santana

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