No sábado (17), o líder do governo militar da Guiné, Mamady Doumbouya, tomou posse como presidente diante de dezenas de milhares de apoiadores, além dos chefes de Estado de Gâmbia, Mali, Ruanda e Senegal, após vencer as eleições presidenciais realizadas em dezembro do ano passado.
Segundo informações da agência de notícias francesa AFP, Doumbouya jurou defender a constituição durante a cerimônia, vestindo traje tradicional no Estádio General Lansana Conté, nos arredores da capital, Conacri.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
A Suprema Corte do país da África Ocidental validou sua vitória no dia 4 de janeiro, apontando o triunfo de Doumbouya com 86,7% dos votos.
As eleições foram acompanhadas por observadores da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao). Em relatório preliminar, publicado em 30 de dezembro, o órgão avaliou de forma positiva o processo eleitoral, destacando o esforço para “restaurar a ordem constitucional” no país.
Apesar disso, a Cedeao reconheceu que, por diversas razões, os principais candidatos da oposição foram excluídos da eleição, como o ex-primeiro-ministro Cellou Dalein Diallo, o ex-presidente Alpha Condé e o ex-premiê Sidya Touré.

Em setembro de 2025, uma nova Constituição foi aprovada em referendo no país, permitindo que integrantes do governo militar disputassem cargos públicos. Com o novo texto constitucional — que ampliou o mandato presidencial de cinco para sete anos, com direito a uma reeleição —, Doumbouya pôde se candidatar.
Em setembro de 2021, o agora presidente eleito liderou um golpe militar que derrubou Alpha Condé, primeiro presidente eleito democraticamente da Guiné. Ao longo do governo de Doumbouya, houve denúncias de repressão a liberdades civis, prisão e exílio de opositores.
Com uma população de cerca de 14 milhões de pessoas, das quais 85% são muçulmanas, a Guiné conquistou sua independência da França em 1958. Banhada pelo oceano Atlântico, o país da África Ocidental faz fronteiras com Costa do Marfim, Gâmbia, Guiné-Bissau, Libéria, Mali e Senegal