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Líderes da África Ocidental se reúnem na Nigéria após onda de golpes de Estado

Cúpula da ECOWAS em Abuja discute tentativas recentes de tomada de poder militar e busca resposta para a instabilidade regional, que inclui a saída de três países do bloco
Os presidentes e os seus deputados de toda a África Ocidental reuniram-se em 14 de dezembro de 2025 na Nigéria.

Os presidentes e os seus deputados de toda a África Ocidental reuniram-se em 14 de dezembro de 2025 na Nigéria.

— Light Oriye Tamunotonye/AFP

15 de dezembro de 2025

Presidentes e vice-presidentes de países da África Ocidental se reuniram neste domingo (14), em Abuja, na Nigéria, em um encontro regional marcado pelo avanço de levantes militares e pelo debate sobre segurança e instabilidade política. A cúpula da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) ocorreu semanas após um golpe bem-sucedido na Guiné-Bissau e uma tentativa frustrada de tomada de poder no Benin.

O encontro havia sido organizado antes dos episódios recentes, mas a sucessão de crises militares passou a ocupar o centro da agenda. A região já havia registrado uma série de golpes entre 2020 e 2023, em países como Burkina Faso, Guiné, Mali e Níger, que permanecem sob controle de juntas militares.

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Na abertura da reunião, o presidente da Comissão da CEDEAO, Alieu Touray, afirmou que os acontecimentos recentes demonstram, de forma concreta, o sentido da solidariedade regional. Segundo ele, a organização enfrenta o desafio de responder a novas rupturas institucionais em um contexto marcado por fragilidades políticas e disputas de poder.

A programação do encontro incluiu discussões sobre a missão recente da CEDEAO à Guiné-Bissau e sobre a situação política no Benin, além de temas ligados à liberalização do comércio e ao processo de transição na Guiné, país suspenso do bloco após o golpe militar.

Chefes de Estado da Guiné e da Guiné-Bissau, afastados da CEDEAO depois das intervenções militares, não participaram da cúpula.

Segurança no Sahel e efeitos transfronteiriços

A segurança no Sahel também figurou entre as prioridades. Grupos jihadistas mantêm ofensivas em Burkina Faso, Mali e Níger, países que, sob regimes militares, deixaram a CEDEAO e criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES). A violência na região tem avançado para áreas mais ao sul, o que amplia o impacto sobre países vizinhos.

Na semana anterior à reunião, Touray defendeu negociações com a AES para tratar de preocupações comuns na área de segurança. Durante o encontro, o presidente da Serra Leoa, Julius Maada Bio, que ocupa a presidência rotativa da CEDEAO, afirmou que nenhuma fronteira é capaz de isolar os países da violência regional.

O presidente da Nigéria, Bola Tinubu, não compareceu à reunião e foi representado pelo vice-presidente Kashim Shettima. Além dos levantes militares, os participantes também abordaram sinais de enfraquecimento institucional em governos civis da região.

Em outubro, a Costa do Marfim reelegeu o presidente Alassane Ouattara para um quarto mandato em um pleito no qual adversários foram impedidos de concorrer. As eleições presidenciais realizadas em 2023 na Nigéria e em Serra Leoa também geraram questionamentos sobre irregularidades.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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