Na sexta-feira (3), milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Nigéria e Camarões após um ataque do grupo Boko Haram, segundo informações da agência francesa AFP.
Na noite da quarta-feira (1º), dezenas de militantes invadiram Kirawa, no distrito de Gwoza, no estado de Borno, na fronteira com Camarões, incendiando casas, obrigando a fuga de moradores. Cerca de cinco mil residentes fugiram da cidade, disse à AFP Umar Ari, líder de uma milícia antijihadista local.
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Mais da metade deles embarcou em caminhões e balsas para atravessar um rio e chegar a Camarões, de acordo com Yakubu Ali, um líder comunitário e chefe da Associação de Desenvolvimento de Kirawa.
“O ataque forçou todos os cinco mil residentes a partir, com cerca de três mil atravessando o rio para Camarões, incluindo nosso chefe tradicional”, disse Ali acrescentando que outros dois mil residentes foram para as cidades vizinhas de Pulka e Gwoza, na Nigéria, assim como para a capital regional Maiduguri, a 130 quilômetros de distância.
Segundo um residente ouvido pela AFP, Kirawa ficou “completamente deserta” depois que o Boko Haram atacou e queimou casas. Os militantes incendiaram casas, incluindo o palácio do chefe local e vários veículos, disse o morador.
Gwoza e áreas vizinhas enfrentam ataques do Boko Haram desde 2014, depois que o grupo jihadista tomou a cidade e a declarou parte de seu califado. A cidade foi retomada pelos militares nigerianos com a ajuda de forças do Chade, em 2015, mas o grupo continua a lançar ataques contra comunidades a partir de seu reduto nas montanhas Mandara.
Bases militares foram estabelecidas na área para impedir incursões e o sequestro de mulheres, mas os ataques persistem.
Em meio ao aumento da violência jihadista este ano, o ISWAP invadiu pelo menos 17 bases militares nigerianas nos primeiros seis meses de 2025, auxiliado por um aumento no uso de drones, ataques noturnos e combatentes estrangeiros, de acordo com pesquisadores da Good Governance Africa, uma organização sem fins lucrativos.
Pelo menos 40 mil pessoas foram mortas e cerca de dois milhões de outras deslocadas desde o início da insurgência em 2009. O conflito se espalhou para os países vizinhos Chade, Níger e Camarões, levando a uma força militar regional a combater os militantes.