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Milhares de pessoas fogem da Nigéria para Camarões após ataque

Apesar de que conflito da Nigéria com o Boko Haram e o grupo rival separatista Província do Daesh da África Ocidental (ISWAP, na sigla em inglês) tenha arrefecido desde seu pico há uma década, este ano houve um aumento nos casos de violência na região.
Soldados nigerianos de Força Conjunta Multinacional (MNJTF, na sigla em inglês) em veículos durantes treinamento em base do grupo em Monguno, no estado nigeriano de Borno, em 5 de julho de 2025

Soldados nigerianos de Força Conjunta Multinacional (MNJTF, na sigla em inglês) em veículos durantes treinamento em base do grupo em Monguno, no estado nigeriano de Borno, em 5 de julho de 2025

— Joris Bolomey/AFP

5 de outubro de 2025

Na sexta-feira (3), milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre Nigéria e Camarões após um ataque do grupo Boko Haram, segundo informações da agência francesa AFP.

Na noite da quarta-feira (1º), dezenas de militantes invadiram Kirawa, no distrito de Gwoza, no estado de Borno, na fronteira com Camarões, incendiando casas, obrigando a fuga de moradores. Cerca de cinco mil residentes fugiram da cidade, disse à AFP Umar Ari, líder de uma milícia antijihadista local.

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Mais da metade deles embarcou em caminhões e balsas para atravessar um rio e chegar a Camarões, de acordo com Yakubu Ali, um líder comunitário e chefe da Associação de Desenvolvimento de Kirawa.

“O ataque forçou todos os cinco mil residentes a partir, com cerca de três mil atravessando o rio para Camarões, incluindo nosso chefe tradicional”, disse Ali acrescentando que outros dois mil residentes foram para as cidades vizinhas de Pulka e Gwoza, na Nigéria, assim como para a capital regional Maiduguri, a 130 quilômetros de distância.

Segundo um residente ouvido pela AFP, Kirawa ficou “completamente deserta” depois que o Boko Haram atacou e queimou casas. Os militantes incendiaram casas, incluindo o palácio do chefe local e vários veículos, disse o morador.

Gwoza e áreas vizinhas enfrentam ataques do Boko Haram desde 2014, depois que o grupo jihadista tomou a cidade e a declarou parte de seu califado. A cidade foi retomada pelos militares nigerianos com a ajuda de forças do Chade, em 2015, mas o grupo continua a lançar ataques contra comunidades a partir de seu reduto nas montanhas Mandara.

Bases militares foram estabelecidas na área para impedir incursões e o sequestro de mulheres, mas os ataques persistem.

Em meio ao aumento da violência jihadista este ano, o ISWAP invadiu pelo menos 17 bases militares nigerianas nos primeiros seis meses de 2025, auxiliado por um aumento no uso de drones, ataques noturnos e combatentes estrangeiros, de acordo com pesquisadores da Good Governance Africa, uma organização sem fins lucrativos.

Pelo menos 40 mil pessoas foram mortas e cerca de dois milhões de outras deslocadas desde o início da insurgência em 2009. O conflito se espalhou para os países vizinhos Chade, Níger e Camarões, levando a uma força militar regional a combater os militantes.

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