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Nigéria e Brasil estreitam laços culturais com projeto afrofuturista dedicado aos orixás

Encontro entre Fundação Palmares e governo da Nigéria estabelece parceria para o Congresso Mundial de Orisa
Representantes do Ministério da Cultura da Nigéria e da Fundação Palmares em reunião.

Representantes do Ministério da Cultura da Nigéria e da Fundação Palmares em reunião.

— Reprodução/Fundação Cultural Palmares

5 de junho de 2025

A Fundação Cultural Palmares e o National Institute for Cultural Orientation (NICO), órgão vinculado ao Ministério da Cultura da Nigéria, formalizaram nesta quinta-feira (5) uma aproximação inédita com foco no intercâmbio cultural e no fortalecimento das conexões entre o continente africano e sua diáspora. 

O encontro impulsiona o projeto do Congresso Mundial de Orisa, que será construído na terra sagrada de Osun como uma cidade afrofuturista dedicada ao culto dos orixás, à preservação dos saberes ancestrais e ao reconhecimento das lideranças tradicionais.

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A presidência da Nigéria manifestou, pela primeira vez, interesse em estabelecer vínculos diretos com casas de matriz africana no Brasil e em outros territórios da diáspora.

Cidade afrofuturista em Osun será centro de preservação ancestral

O projeto prevê a construção de uma cidade afrofuturista em Osun, território sagrado da Nigéria, com o objetivo de preservar tradições espirituais e fortalecer a memória dos saberes ancestrais. A cidade funcionará como espaço dedicado ao culto dos orixás e ao reconhecimento das lideranças espirituais.

“A herança iorubá une Nigéria e Brasil de forma profunda. Muitos brasileiros já participam de festivais como Osun Oshogbo e Sango. Queremos ampliar essa relação com o povo de axé”, afirmou Otunba Ajiboye, representante nigeriano, em nota ministerial.

Reconhecimento institucional das casas de matriz africana

Para Ajoyemi Osunleye, presidente da Casa Herança de Oduduwa, a iniciativa tem caráter histórico. “Pela primeira vez, um governo africano se aproxima oficialmente dos filhos de Orisa no Brasil e na diáspora. Isso em um ano que a União Africana dedica à justiça e às reparações.”

O presidente da Fundação Palmares, João Jorge Rodrigues, destacou o papel da instituição no processo de articulação internacional. “Um governo africano reconhece, de forma inédita, as casas de axé e suas lideranças. O Congresso Mundial de Orisa é um passo concreto rumo à reparação e à reconstrução de vínculos históricos”, concluiu.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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