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Presidente da Costa do Marfim pondera candidatura ao 4º mandato em meio à tensão com rivais

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, acena para seus apoiadores de dentro de seu carro durante sua cehgada ao Estádio Olímpico de Ebimpe para o comício de seu partido, a Frente dos Houphouetistas pela Democracia e pela Paz, Abdijã, 22 de junho de 2025

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, acena para seus apoiadores de dentro de seu carro durante sua cehgada ao Estádio Olímpico de Ebimpe para o comício de seu partido, a Frente dos Houphouetistas pela Democracia e pela Paz, Abdijã, 22 de junho de 2025

— Sia Kambou/AFP

22 de junho de 2025

Neste domingo (22), o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, anunciou que deve tomar uma decisão nos próximos dias sobre concorrer a um quarto mandato presidencial no país. A fala foi realizada durante um comício com dezenas de milhares de apoiadores no Estádio Olímpico de Ebimpe, na maior cidade do país, Abidjã, segundo a agência AFP.

Ouattara, de 83 anos, lidera o país desde 2011 e foi oficialmente nomeado por seu partido, Frente dos Houphouetistas pela Democracia e pela Paz, mas não confirmou de imediato que se candidatará pela quarta vez.

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A nomeação pelo partido vem após semanas de tensões políticas disparadas pelo impedimento de diversos opositores políticos de participar nas eleições presidenciais, marcadas para o dia 25 de outubro.

Críticos do atual presidente marfinense acusam o mandatário de se agarrar ao poder e tem se colocado contra a possibilidade de uma quarta candidatura de Ouattara. A oposição acusa as autoridades de escolher seus oponentes por via judicial, enquanto o governo defende que o Judiciário age de forma independente.

O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, discursa no Palácio Presidencial de Abidjã durante encontro com lideranças de Gana, 11 de novembro de 2024
O presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, discursa no Palácio Presidencial de Abidjã durante encontro com lideranças de Gana, 11 de novembro de 2024 (Foto: Sia Kambou/AFP)

Na quinta-feira (19), os dois maiores partidos de oposição no país lançaram uma campanha pela restauração das candidaturas de suas lideranças à Presidência. A aliança reúne o Partido Popular Africano da Costa do Marfim, liderado pelo ex-presidente Laurent Gbagbo; e o principal partido de oposição marfinense, o Partido Democrático da Costa do Marfim, liderado pelo banqueiro Tidjane Thiam.

Gbagbo, seu antigo aliado Charles Ble Goude e o ex-premiê Guillaume Soro, tiveram seus registros eleitorais cassados devido a condenações criminais. Já Thiam foi retirado da disputa por questões de nacionalidade.

Neste domingo (22), após a 67ª cúpula dos chefes de Estado da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), em Abuja, na Nigéria, o presidente da Comissão, Omar Alieu Touray, negou acusações de que o bloco realizaria quaisquer intervenções no processo eleitoral marfinense. A organização reúne 15 países da região, incluindo a Costa do Marfim.

“A Cedeao não vai a um país e impõe regras”, disse Touray a repórteres após o encontro. “Qualquer coisa que esteja sendo feito em um de nossos Estados-membros deve ser feito de acordo com a lei e a constituição nacional”, acrescentou, segundo a AFP.

A Costa do Marfim tem um histórico de episódios de violência após eleições. Uma disputa sobre a vitória de Ouattara, em 2010, levou a cerca de 3.000 mortes em conflitos com apoiadores do então adversário Laurent Gbagbo.

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