PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Quênia inicia aplicação de novo tratamento injetável semestral para prevenção do HIV

Lenacapavir, que custa US$ 28 mil (R$ 144 mil) nos EUA, chega ao país com valor reduzido após acordo com fabricante; primeira dose foi aplicada em morador de Nairóbi
Um médico enche uma seringa com uma dose da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada ao HIV, injeção de lenacapavir, antes de administrar a um cliente, durante seu lançamento, marcando a primeira fase da implementação nacional no Centro de Saúde Riruta, em Nairóbi, em 26 de fevereiro de 2026.

Um médico enche uma seringa com uma dose da profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada ao HIV, injeção de lenacapavir, antes de administrar a um cliente, durante seu lançamento, marcando a primeira fase da implementação nacional no Centro de Saúde Riruta, em Nairóbi, em 26 de fevereiro de 2026.

— Simon Maina/AFP

26 de fevereiro de 2026

O Quênia começou a administrar nesta quinta-feira (26) as primeiras doses do lenacapavir, um tratamento injetável para prevenção do HIV que requer aplicação a cada seis meses. A iniciativa ocorre em um bairro popular de Nairóbi, capital do país, segundo fontes oficiais.

O ministro da Saúde queniano, Aden Duale, participou de um ato público para marcar o início da aplicação. “É um momento de esperança para milhares de famílias quenianas”, declarou.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

O Quênia integra o grupo de nove países africanos selecionados em 2025 para introduzir o medicamento. África do Sul, Essuatíni e Zâmbia já administram o lenacapavir desde dezembro.

O tratamento tem custo elevado no mercado internacional. Nos Estados Unidos, o valor ultrapassa US$ 28 mil por paciente ao ano, cerca de R$ 144 mil reais, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS, sigla em inglês). Em julho de 2025, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou à fabricante Gilead Sciences a redução do preço.

No Quênia, o custo anual por pessoa será de 7.800 xelins quenianos, aproximadamente R$ 300. O valor reduzido resultou de um acordo negociado entre o governo e a farmacêutica, informou o ministro Duale.

O país recebeu na semana passada o primeiro lote de 21 mil doses, viabilizado por um acordo entre a Gilead Sciences e o Fundo Mundial de Combate à Aids.

O lenacapavir é, tecnicamente, um medicamento químico e não uma vacina, pois não treina o sistema imunitário. Foto: Simon Maina/AFP

Adesão e discrição

Cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem com HIV no Quênia, com maioria de jovens entre 15 e 24 anos. “Muitos dos nossos jovens seguem expostos ao risco de infecção, esta inovação nos dá uma força renovada em nossa luta nacional contra o HIV”, afirmou Duale.

O lenacapavir oferece vantagens em relação aos métodos preventivos existentes, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) em comprimidos, que exige ingestão frequente. Carol Njomo, agente de saúde comunitária no bairro de Kawangware, onde as primeiras doses foram aplicadas, destacou que o novo tratamento permite maior discrição que as visitas regulares a centros de saúde.


O lançamento do novo tratamento ocorre em momento de redução da ajuda humanitária internacional aos países africanos, especialmente dos Estados Unidos. Os cortes afetam programas de combate ao HIV/aids em todo o continente.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano