O Quênia começou a administrar nesta quinta-feira (26) as primeiras doses do lenacapavir, um tratamento injetável para prevenção do HIV que requer aplicação a cada seis meses. A iniciativa ocorre em um bairro popular de Nairóbi, capital do país, segundo fontes oficiais.
O ministro da Saúde queniano, Aden Duale, participou de um ato público para marcar o início da aplicação. “É um momento de esperança para milhares de famílias quenianas”, declarou.
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O Quênia integra o grupo de nove países africanos selecionados em 2025 para introduzir o medicamento. África do Sul, Essuatíni e Zâmbia já administram o lenacapavir desde dezembro.
O tratamento tem custo elevado no mercado internacional. Nos Estados Unidos, o valor ultrapassa US$ 28 mil por paciente ao ano, cerca de R$ 144 mil reais, segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS, sigla em inglês). Em julho de 2025, a agência da Organização das Nações Unidas (ONU) solicitou à fabricante Gilead Sciences a redução do preço.
No Quênia, o custo anual por pessoa será de 7.800 xelins quenianos, aproximadamente R$ 300. O valor reduzido resultou de um acordo negociado entre o governo e a farmacêutica, informou o ministro Duale.
O país recebeu na semana passada o primeiro lote de 21 mil doses, viabilizado por um acordo entre a Gilead Sciences e o Fundo Mundial de Combate à Aids.

Adesão e discrição
Cerca de 1,3 milhão de pessoas vivem com HIV no Quênia, com maioria de jovens entre 15 e 24 anos. “Muitos dos nossos jovens seguem expostos ao risco de infecção, esta inovação nos dá uma força renovada em nossa luta nacional contra o HIV”, afirmou Duale.
O lenacapavir oferece vantagens em relação aos métodos preventivos existentes, como a profilaxia pré-exposição (PrEP) em comprimidos, que exige ingestão frequente. Carol Njomo, agente de saúde comunitária no bairro de Kawangware, onde as primeiras doses foram aplicadas, destacou que o novo tratamento permite maior discrição que as visitas regulares a centros de saúde.
O lançamento do novo tratamento ocorre em momento de redução da ajuda humanitária internacional aos países africanos, especialmente dos Estados Unidos. Os cortes afetam programas de combate ao HIV/aids em todo o continente.