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Três países africanos iniciam aplicações de medicamento que previne HIV em 99,9%

Tratamento promete ampliar adesão, reduzir novas infecções e reposicionar estratégias de saúde pública em nações com alta prevalência do vírus
Enfermeira administra lenacapavir, fármaco que previne o HIV, a um paciente.

Enfermeira administra lenacapavir, fármaco que previne o HIV, a um paciente.

— Reprodução/Unitaid

1 de dezembro de 2025

A África do Sul, a Zâmbia e o Essuatíni (antiga Suazilândia) iniciaram, nesta segunda-feira (1), a aplicação de um medicamento de prevenção ao HIV. O lenacapavir reduz o risco de transmissão do vírus em mais de 99,9% com apenas duas aplicações anuais, o que o torna funcionalmente semelhante a uma vacina.

A introdução do método ocorre em um continente que concentra mais de dois terços das pessoas vivendo com HIV no mundo e onde barreiras de acesso, estigma e dificuldades logísticas influenciam a continuidade dos tratamentos. O formato injetável, aplicado em ambientes de saúde, busca melhorar taxas de adesão e alcançar populações que enfrentam obstáculos para seguir tratamentos orais diários.

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Esta é a primeira distribuição pública do fármaco na África, continente com a maior carga de HIV do mundo. Na África do Sul, onde um em cada cinco adultos vive com HIV, uma unidade de pesquisa da Universidade de Wits supervisionou o início da aplicação como parte de uma iniciativa financiada pela Unitaid, agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU). 

A Unitaid informou que “os primeiros indivíduos começaram a usar o lenacapavir para prevenção do HIV na África do Sul”, o que coloca o país entre os primeiros a usar a injeção semestral em nações de baixa e média renda.

Primeiras remessas chegam após negociações prolongadas

A chegada do medicamento é resultado de articulação entre governos africanos e parceiros internacionais que pressionaram por preços considerados viáveis. O objetivo é evitar o atraso de acesso observado em outras tecnologias médicas e permitir que países da região adotem o tratamento de forma imediata.

Segundo o documento, as remessas iniciais alimentarão programas nacionais de prevenção voltados a jovens, mulheres e populações vulneráveis. Setores técnicos projetam que a adoção do formato semestral pode reduzir lacunas no cuidado em regiões atingidas por deslocamentos, instabilidade ou falhas recorrentes no abastecimento de medicamentos orais.

Autoridades de saúde destacam que a implementação do novo protocolo não elimina desafios históricos no enfrentamento ao HIV. Alguns países relatam limitações de infraestrutura para armazenamento e aplicação, além de carência de profissionais treinados. Outro ponto citado é o risco de que custos futuros se tornem barreiras caso o financiamento internacional sofra retrações.

Organizações sociais pedem que a introdução do tratamento injetável seja acompanhada de estratégias amplas de educação, busca ativa e enfrentamento ao estigma, fatores que influenciam diretamente a procura pelos serviços de saúde.

Distribuição e acesso

A Unitaid não divulgou o número exato de pessoas que receberam as primeiras doses do medicamento. Nos Estados Unidos, o tratamento anual com lenacapavir custa US$ 28 mil (R$ 149 mil) por pessoa. Uma distribuição nacional mais ampla na África do Sul está prevista para o próximo ano.

A Zâmbia e o Essuatíni receberam 1 mil de doses no mês passado por meio de um programa dos Estados Unidos e lançaram oficialmente o medicamento em cerimônias do Dia Mundial de Luta contra a AIDS. O fabricante, a Gilead Sciences, concordou em fornecer o lenacapavir sem lucro para 2 milhões de pessoas em países com alta carga de HIV ao longo de três anos.

Versões genéricas do lenacapavir devem estar disponíveis a partir de 2027, com um custo aproximado de US$ 40 (R$ 213) por ano, em mais de 100 países. Esse acordo foi viabilizado por acordos da Unitaid e da Fundação Gates com empresas farmacêuticas indianas.

Uma versão anterior deste texto afirmava que o lenacapavir tratava-se de uma vacina. Na realidade, é um medicamento injetável. Pedimos desculpas aos nossos leitores.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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