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Relatório da ONU denuncia ‘genocídio étnico’ de pelo menos 12 mil pessoas no Sudão, diz agência

O documento informa sobre violência física, sexual e execuções em massa
Membro das Forças paramilitares sudanesas de Apoio Rápido (RSF) lidera cidadãos africanos capturados enquanto tentavam fugir para Líbia, em 25 de setembro de 2019.

Foto: Ashraf Shazly/AFP

22 de janeiro de 2024

De acordo com um relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), entre dez e 15 mil pessoas foram mortas na região  de Darfur, na porção oeste do Sudão, em 2023, em decorrência de violência étnica das Forças Paramilitares de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês) e milícias árabes aliadas.

No relatório, conforme publicação da agência Reuters, enviado ao Conselho de Segurança da ONU, monitores independentes de sanções da organização atribuíram o número de vítimas em El Geneina ao início da guerra na região, em abril de 2023, entre o Exército sudanês e as RSF. A estimativa da instituição é de que 12 mil pessoas foram mortas.

Em novembro as RSF assumiram o controle da base do exército sudanês em Ardamata. No mesmo mês, um importante general sudanês acusou os Emirados Árabes Unidos de fornecerem semanalmente apoio militar às milícias no Sudão. Os Emirados Árabes, por sua vez, afirmaram que foram enviados 122 voos de ajuda humanitária a Amdjarass, no Chade, país na África Central.

A ONU informou que cerca de 500 mil pessoas fugiram do Sudão para o leste do Chade, a centenas de quilômetros de Amdjarass. 

Segundo a Reuters, observadores informaram que, entre abril e junho do ano passado, a cidade de El Geneina sofreu com a intensa violência. Esses observadores acusam as RSF e seus aliados de terem a tribo africana Masalit como alvo dos ataques.

Anteriormente, as RSF negaram as acusações e disseram que os soldados que estejam envolvidos em casos de execução e violências vão enfrentar consequências judiciais. Apesar disso, os paramilitares não comentaram as denúncias recentes.

Genocídio em massa

O documento da ONU inclui relatos de sobreviventes que descrevem cenas de extrema violência por parte dos paramilitares. Um civil que conseguiu escapar, disse em depoimento que ao tentarem fugir da cidade, homens e mulheres eram parados em postos de controle das RSF, onde eram separados, assediados, revistados, roubados, agredidos e violentados física e sexualmente, além de assassinados a sangue frio. 

Ainda segundo o relatório, jovens eram interrogados sobre sua etnia e se fossem identificados como Masalit, eram executados com um tiro na cabeça. Mulheres e crianças também foram feridas e mortas assim. 

Os monitores disseram que a tomada da cidade de Darfur pelas RSF se deu a partir de três linhas de apoio: comunidades árabes aliadas, redes de financiamento e linhas de abastecimento militar que atravessa o Chade, a Líbia e o Sudão do Sul.

A guerra deixou cerca de cinco milhões de desabrigados e 1,2 milhão fugiram para países vizinhos, segundo a ONU

  • Patricia Santos

    Jornalista, poeta, fotógrafa e vídeomaker. Moradora do Jardim São Luis, zona sul de São Paulo, apaixonada por conversas sobre territórios, arte periférica e séries investigativas.

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