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Sabia que existem dois Congos? Entenda a diferença entre a República do Congo e a República Democrática do Congo

No final do século XIX, potências europeias dividiram o continente sem considerar as populações locais. A França ocupou o lado oeste da região, criando o Congo Francês — atual República do Congo, e a Bélgica transformou o lado leste em sua colônia, o Congo Belga, hoje República Democrática do Congo.
Arte: Lucas Silva/Alma Preta

À esquerda, o Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi. Já à direita, o presidente da República do Congo (Brazzaville), Denis Sassou Nguesso.

— Arte: Lucas Silva/Alma Preta

2 de agosto de 2025

A República do Congo e a República Democrática do Congo (RD Congo) compartilham muito mais do que um nome. Com a mesma língua oficial e o mesmo gentílico (quem nasce nos dois Congos é congolês), esses países vizinhos têm histórias entrelaçadas, mas realidades profundamente distintas.

Brazzaville, capital da República do Congo, e Kinshasa, capital da RD Congo, estão separadas apenas pelo Rio Congo, tornando-se as duas capitais mais próximas do planeta.

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Apesar da proximidade geográfica, os dois países seguiram caminhos políticos e econômicos muito diferentes após a colonização.

Por que existem dois Congos?

No final do século XIX, durante a Partilha da África, potências europeias dividiram o continente sem considerar as populações locais. A França ocupou o lado oeste da região, criando o Congo Francês — atual República do Congo.

Enquanto isso, a Bélgica, sob o comando do rei Leopoldo II, transformou o lado leste em sua colônia pessoal: o Congo Belga, hoje República Democrática do Congo.

O Rio Congo serviu como fronteira natural entre os impérios coloniais, que buscavam explorar as riquezas da região, como ouro, diamantes, marfim e borracha.

Mesmo após a independência em 1960, os dois países mantiveram as fronteiras coloniais e enfrentaram destinos distintos.

República do Congo: Petróleo e diversidade cultural

  • População: 6,2 milhões de habitantes.
  • Línguas oficiais: Francês, lingala, quituba (munukutuba) e congo.
  • Grupos étnicos: 15 grupos bantos e mais de 70 subgrupos, cada um com tradições e línguas próprias.
  • Economia: O petróleo é a principal fonte de receita, sendo o país membro da OPEP desde 2018.
  • Culinária: Baseada em mandioca, peixe, carne, amendoim e folhas, frequentemente acompanhados de fufu ou banana-da-terra.

República Democrática do Congo: Riqueza mineral e crise humanitária

  • População: 105,8 milhões de habitantes.
  • Línguas oficiais: Francês, lingala, quituba, suaíli e luba.
  • Grupos étnicos: Mais de 250, a maioria de origem banto.
  • Economia: Possui uma das maiores reservas mundiais de cobre, ouro, diamantes e cobalto (70% do total global), essencial para baterias de eletrônicos.
  • Biodiversidade: Abriga a segunda maior floresta tropical do mundo e uma vasta variedade de espécies animais.
  • Culinária: Inclui mandioca, banana-da-terra, batata-doce e pratos como moambe e saka-madesu.

Apesar de sua riqueza natural, a RD Congo enfrenta uma grave crise humanitária. Desde 2023, a guerra no leste do país já deslocou mais de 6 milhões de pessoas e matou mais de 7 mil apenas entre janeiro e fevereiro deste ano, segundo a ONU.

Cobertura independente da Alma Preta

A equipe da Alma Preta esteve de maio a julho na República Democrática do Congo para cobrir o conflito de forma independente, com uma perspectiva comprometida com os direitos humanos e a população negra global.

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  • Marina Benini

    Jornalista pela PUC-SP e estudante de Produção Editorial pela UAM. Busca na escrita o empoderamento e aquilombamento. Apaixonada por literatura e entretenimento, luta pela representatividade no meio cultural.

  • Mariane Barbosa

    Curiosa por vocação, é movida pela paixão por música, fotografia e diferentes culturas. Já trabalhou com esporte, tecnologia e América Latina, tema em que descobriu o poder da comunicação como ferramenta de defesa dos direitos humanos, princípio que leva em seu jornalismo antirracista e LGBTQIA+.

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