Nesta quinta-feira (16), pesquisadores apresentaram ao presidente de Senegal, Bassirou Diomaye Faye, um relatório oficial sobre um dos piores massacres registrados na história colonial francesa.
O documento busca esclarecer eventos ocorridos em 1944, quando o exército colonial da França em Senegal realizou um massacre contra tropas africanas que lutaram ao lado dos franceses durante a Segunda Guerra Mundial, conforme apontam informações da agência AFP.
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As descobertas reveladas pelo relatório, que ainda não foi levado a público, podem levar a demandas por reparação, apesar de que a maioria dos responsáveis pelo massacre estão mortos.
Desde maio deste ano, escavações são realizadas no campo militar de Thiaroye, revelando novas informações sobre o massacre, que pode ter vitimado centenas de soldados africanos — que lutaram pela França e protestaram contra a falta de pagamento de salários. As escavações desenterraram diversos restos mortais com balas.
“Esse relatório é um passo decisivo pela reabilitação da verdade histórica”, disse o presidente senegalês durante uma cerimônia com a presença do primeiro-ministro Ousmane Sonko e membros do governo.

Segundo Faye, o documento é baseado em “fatos tangíveis” baseados em fatos coletados em arquivos tanto em Senegal quanto na França.
Cerca de 1,3 mil soldados de diversos países do oeste africano foram enviados ao campo de Thiaroye em novembro de 1944, tendo sido capturados pela Alemanha enquanto lutavam ao lado das tropas francesas durante a guerra.
Nesse período, houve descontentamento em relação ao pagamento de salários e demandas por tratamento igualitário em relação a soldados brancos. Em 1º dezembro de 1944, soldados franceses abriram fogo contra o grupo de militares africanos.
Até hoje não há um número exato de mortos registrado, assim como a identidade e o local de enterro dos soldados. Autoridades francesas afirmam que houve 35 soldados mortos, mas historiadores apontam que o número real pode chegar a 400.
O governo de Senegal — que acusa a França de não revelar arquivos que poderiam ajudar nas investigações — foi o responsável por ordenar as escavações. O presidente Faye garantiu, nesta quinta-feira (16), que os esforços para esclarecer os eventos continuarão “em todos os lugares que possam conter valas comuns”.
O governo francês só reconheceu oficialmente o massacre em novembro de 2024, 80 anos depois do ocorrido.
A divisão dos soldados assassinados — Tirailleurs Sénégalais (Atiradores Senegaleses, em tradução livre) — participou tanto em guerras contra a colonização quanto nas duas guerras mundiais e era formada por militares de colônias francesas na África, principalmente Senegal, Costa do Marfim, Mali e Burkina Faso.