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Sob críticas e impasse de segurança, projeto de gás em Moçambique é suspenso pelo Reino Unido

Governo britânico suspende apoio de até R$ 6,1 bilhões ao consórcio liderado pela TotalEnergies em Cabo Delgado; ONGs celebram decisão que "coloca direitos acima dos lucros"
Policiais ruandeses guardam o Total Mozambique LNG Project, em Afungi, na província de Cabo Delgado, em 29 de Setembro de 2022.

Policiais ruandeses guardam o Total Mozambique LNG Project, em Afungi, na província de Cabo Delgado, em 29 de Setembro de 2022.

— Camille Laffont/AFP

1 de dezembro de 2025

O governo do Reino Unido anunciou nesta segunda-feira (1º) que vai retirar seu apoio financeiro ao projeto de gás natural liquefeito (GNL) da TotalEnergies em Moçambique. A decisão envolve a retenção de até R$ 6,1 bilhões em financiamento para a obra, localizada na província de Cabo Delgado, no nordeste do país.

O secretário de Comércio e Negócios britânico, Peter Kyle, justificou a medida em um comunicado. “Embora essas decisões nunca sejam fáceis, o governo acredita que o financiamento do Reino Unido a este projeto não avançará os interesses de nosso país”, disse. A agência governamental UK Export Finance (UKEF) foi a responsável pela decisão de interromper o financiamento.

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A empresa francesa TotalEnergies, que detém 26,5% do empreendimento, anunciou em outubro a intenção de retomar os trabalhos, suspensos desde 2021 após um ataque jihadista que matou cerca de 800 pessoas. Conforme reportagem da agência francesa AFP, a empresa declarou fim do estado de força maior e solicitou ao governo moçambicano o pagamento de R$ 22,2 bilhões em custos extras relacionados ao atraso.

Impacto e reações

O projeto, de R$ 106 bilhões, é parte de um conjunto de iniciativas de gás na região que também envolvem a italiana ENI e a americana ExxonMobil. Um relatório da auditoria Deloitte de 2024 apontou que esses projetos poderiam elevar Moçambique ao posto de um dos dez maiores produtores mundiais de gás natural até 2040.

A decisão britânica foi celebrada por organizações ambientais e de direitos humanos. O Friends of the Earth Moçambique declarou: “Esperamos que outros financiadores reflitam sobre a realidade deste projeto e coloquem os direitos das pessoas acima dos lucros”.

Grupos da sociedade civil moçambicana e internacional já haviam acusado a TotalEnergies de manter o país “refém” com a exigência de condições “ultrafavoráveis” para retomar o projeto.

O governo britânico afirmou que “mantém o compromisso com nossa parceria nacional com Moçambique e com a construção de relações respeitosas de longo prazo com países africanos para impulsionar o crescimento sustentável, enfrentar a crise climática e abordar a insegurança”.

Contexto social e ambiental

O projeto enfrenta críticas de que traria poucos benefícios à população local. Dados do Banco Mundial indicam que mais de 80% dos moçambicanos viviam abaixo da linha da pobreza de R$ 16 por dia em 2022. Organizações ambientais classificam as iniciativas de gás na região como “bombas climáticas”.

A TotalEnergies não comentou oficialmente a decisão britânica. A reportagem da AFP solicitou uma reação do governo de Moçambique, mas não obteve resposta até a publicação.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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