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Sudão enfrenta pior surto de cólera em anos em meio à guerra civil que já deslocou 12 milhões

Combates destruíram 80% da infraestrutura de saúde e facilitam propagação da doença, que já registra 2.500 mortes e 100 mil casos suspeitos
Pacientes infectados com cólera recebem tratamento no centro de isolamento de cólera nos campos de refugiados do oeste do Sudão, na cidade de Tawila, em Darfur, em 14 de agosto de 2025.

Pacientes infectados com cólera recebem tratamento no centro de isolamento de cólera nos campos de refugiados do oeste do Sudão, na cidade de Tawila, em Darfur, em 14 de agosto de 2025.

— Reprodução/AFP

17 de setembro de 2025

Enquanto o conflito armado no Sudão provoca dezenas de milhares de mortes, o país enfrenta o pior surto de cólera em anos. Segundo o Ministério da Saúde do país, mais de 2.500 pessoas morreram e 100 mil casos suspeitos foram identificados. A informação é do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A doença se espalha rapidamente em um cenário em que mais de dois anos de guerra destruíram a infraestrutura de água, energia e saúde. Estima-se que 80% das unidades médicas estejam inoperantes.

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“Sudão enfrenta seu pior surto de cólera em anos, no meio de um conflito devastador que destruiu infraestrutura e deixou milhões sem acesso a água limpa, saúde e serviços essenciais”, afirmou em nota José Luis Pozo, chefe de operações do CICV no país.

No Hospital Al Jazeera East, no Estado de Al Jazeera, médicos e enfermeiros atendem pacientes com soluções de reidratação oral e fluidos intravenosos nos casos mais graves.

Para Abbas Mubarak, vice-diretor de Emergências de Saúde e Controle de Epidemias em Gedaref, a situação pressiona as equipes: “O número de pessoas com diarreia aquosa impacta diretamente o trabalho do centro. Estamos nos esforçando para aumentar a capacidade de atendimento e a eficiência dos profissionais”, informou em nota da CICV.

Na mesma nota, Mutasim Azhari, morador local internado com desidratação grave, relatou: “Eu e meu irmão fomos levados a um centro de tratamento de cólera. Foi a primeira vez que contraí a doença e fiquei muito assustado. A equipe fez de tudo para me curar.”

Resposta humanitária

O CICV concentra sua resposta emergencial nos estados de Cartum, Gedaref, Darfur do Norte, Darfur do Sul e Sennar, onde a cólera e a desnutrição se combinam de forma mais severa. Até agora, quase 18 mil pacientes receberam tratamento e houve reforço na detecção precoce de casos.

No Darfur do Norte, cerca de 82 mil deslocados em Tawila receberam assistência em parceria com o Crescente Vermelho Sudanês (organização pertencente à Cruz Vermelha que atua em países e regiões de tradições islâmicas) e autoridades locais. Foram distribuídos kits de higiene, além de auxílio no acesso à água potável, campanhas de conscientização e ações de fumigação (método químico para controle de pragas e a desinfestação de materiais ou instalações).

“O risco de novos casos é alto com a estação chuvosa em andamento. É essencial agir rapidamente e coordenar esforços”, reforçou Pozo.

O conflito sudanês começou em 15 de abril de 2023, entre as Forças Armadas do Sudão (SAF) e as Forças de Apoio Rápido (RSF). Desde então, mais de 12 milhões de pessoas foram deslocadas, sendo mais de 3 milhões refugiadas em países vizinhos. Internamente, o Sudão abriga hoje a maior população de deslocados internos já registrada no mundo.

A infraestrutura de saúde foi profundamente comprometida: em áreas de conflito, entre 70% e 80% das unidades deixaram de funcionar, tornando ainda mais difícil enfrentar a epidemia de cólera e outras emergências sanitárias.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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