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Uma nação forjada na rebeldia: Lesoto marca 59 anos de independência

Nação cercada pela África do Sul lutou contra o domínio do Reino Unido com rebeliões populares e resistência inspirada por movimentos emancipatórios africanos
As corridas de cavalos no território montanhoso de Semonkong, Lesoto, em 16 de julho de 2016.

As corridas de cavalos no território montanhoso de Semonkong, Lesoto, em 16 de julho de 2016.

— John Wessels/AFP

4 de outubro de 2025

No dia 4 de outubro de 1966, o Reino do Lesoto conquistava sua independência do Reino Unido. Antes conhecido como Basutolândia, o território localizado na África Austral foi uma colônia britânica por quase um século. 

Dominado majoritariamente pelos grupos étnicos sotho e nguni, o pequeno país é cercado pela África do Sul. Seus primeiros habitantes foram tribos como os Kwena e os Zulus, que buscaram refúgio nas regiões montanhosas.

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Em 1824, os povos Zulus pediram proteção de um cacique local, o rei Moshoeshoe I, que havia unificado tribos sob o povo basotho desde 1818. Sob sua liderança, o povo enfrentou ataques dos bôeres, colonos de origem holandesa vindos da então província sul-africana de Transvaal.

Com o aumento das tensões com o Estado Livre de Orange formado pelos bõeres, Moshoeshoe I buscou a proteção da colônia britânica do Cabo, que resultou em total domínio britânico. Em 1871, sem o consentimento do povo local, o Reino Unido anexou oficialmente a Basutolândia à colônia do Cabo, reduzindo ainda mais o território Basotho pelo direito às suas terras e autonomia política, após proclamar soberania sobre áreas próximas ao rio Orange.

Rebelião e repressão

Após a morte de Moshoeshoe I, seu filho assumiu o trono, mas a autoridade passou para a metrópole britânica, que governava sem levar em conta os interesses dos nativos. A insatisfação com o tratamento violento dos colonizadores resultou em manifestações populares e protestos.

A rebelião do povo basotho foi uma das primeiras contra o domínio colonial britânico na África. Em 1880, uma nova rebelião ganhou força após os britânicos tentarem desarmar a população. Mesmo com desvantagem em armamentos, os basothos resistiram por três anos, até 1884, quando o território voltou a ser controlado pelo Reino Unido, agora com o status oficial de colônia.

Apesar da repressão, os chefes tribais mantiveram certa autonomia local, conforme os costumes tradicionais, enquanto o governador britânico exercia poder autoritário em toda nação.

Em 1910, iniciou uma nova fase política com a criação do Conselho de Basutolândia, composto por chefes de tribos, embora a autoridade executiva permanecesse nas mãos do Alto Comissário Britânico. Por 12 meses, o Reino Unido adiou a transição para o autogoverno, postergando eleições e justificando a permanência colonial.

Diante das crescentes pressões internas e do novo cenário político africano com o avanço dos movimentos de emancipação, ficou insustentável manter o domínio britânico. Assim, em 1966, Basutolândia se tornou independente, renomeada como Reino do Lesoto sob um regime de monarquia constitucional.

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  • Thayná Santana

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