A CEO da 30ª Conferência das Partes (COP30), Ana Toni, participou nesta sexta-feira (11) da 20ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) em São Paulo.
Focada na promoção da justiça social, ambiental e climática, Ana integrou o painel “Rumo à COP30: desafios e pressões da política ambiental brasileira”, que discutiu os principais obstáculos enfrentados pela política ambiental do país às vésperas do evento da ONU, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).
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O debate foi mediado pelas jornalistas Molly Peterson, especialista internacional em cobertura de clima e meio ambiente; Catarina Barbosa, amazônida e diretora da Abraji; e Thais Bilenky, do podcast “A Hora”, do UOL. Entre os tópicos abordados estiveram a atuação do governo federal nas pautas ambientais, a relação com os povos tradicionais e as expectativas para o evento global.
Durante sua fala, Ana Toni destacou o papel dos povos tradicionais e a economia da natureza como um dos principais temas da conferência.
“Estamos fazendo fortemente para a COP30 um debate sobre a economia da natureza, como valorizar a floresta, os serviços ambientais, a preservação e o papel das populações indígenas e quilombolas”, relatou.
A CEO também enfatizou que a COP30 pode representar uma virada na forma como o mundo encara as mudanças climáticas, indo além da inovação tecnológica.
“Combater a crise climática também significa preservar costumes, culturas e ecossistemas. A Amazônia e suas populações são exemplos nisso. É preciso entender que desenvolvimento sustentável inclui tecnologia, mas também preservar a natureza e as comunidades tradicionais”, disse.

Desafios da COP30 em Belém
A escolha de Belém como sede da conferência também foi tema da conversa. Ana reconheceu os desafios logísticos e estruturais da capital paraense, como os altos preços de hospedagem e a limitada oferta de hotéis.
“A cobertura até agora na COP30 está muito na logística e infelizmente tem sim alguns problemas para serem vistos como o da acomodação, mas é uma cobertura que não está dando pra população o senso de realidade de importância sobre os grandes desafios políticos”, afirmou.
A CEO comentou que soluções alternativas estão em desenvolvimento. “Estão sendo construídos novos espaços, como casas e apartamentos, além da mobilização de moradores para abrir suas próprias residências. Vai ser uma COP diferente: muitos ficarão em casas e propriedades privadas. A expectativa é que o governo lance em breve uma plataforma oficial para organizar essa hospedagem”, adiantou.
Ana Toni apontou ainda os temas centrais que devem ganhar destaque durante a conferência, como o novo modelo de desenvolvimento, a transição energética, a valorização da natureza e o avanço nas discussões sobre adaptação climática.
“Estamos enfrentando o debate sobre o desmatamento e, mais recentemente, sobre a energia. Não devemos negar nossas contradições, mas encará-las com maturidade, buscando avanços no cenário nacional e internacional”, concluiu.
O Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo segue até o dia 13 de julho e as inscrições estão abertas no site da Abraji.