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Acampamento Terra Livre 2026 reivindica direitos para indígenas

Mobilização em Brasília reúne povos indígenas em defesa de territórios e deve receber cerca de 7 mil lideranças
22ª edição do Acampamento Terra Livre, no dia 5 de abril de 2026.

22ª edição do Acampamento Terra Livre, no dia 5 de abril de 2026.

— Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

6 de abril de 2026

Teve início, no último domingo (5), no centro de Brasília, o Acampamento Terra Livre (ATL 2026), mobilização indígena que reúne etnias de todo o país em defesa dos direitos das comunidades originárias. 

De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), neste ano, são esperados entre sete mil e oito mil participantes, entre indígenas e não indígenas. A vigésima segunda edição do evento reivindica a demarcação e a proteção das terras e territórios indígenas, com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

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A reunião, que conta com representantes de grande parte dos 391 povos indígenas existentes no Brasil, ocorre até o próximo sábado (11) e defende a suspensão da legislação que afrouxou as regras do licenciamento ambiental no país. 

A Lei Geral do Licenciamento Ambiental (LGLA), conhecida como “PL da Devastação”, chegou a ser vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas teve 57 trechos restabelecidos pelo Congresso Nacional. A legislação preocupa especialistas por flexibilizar a exigência de licença em determinados casos, como obras que necessitem ser executadas por calamidade pública ou soberania nacional.

Leia mais: PSOL acionará STF contra derrubada de vetos do ‘PL da Devastação’

“Os crimes cometidos contra nossos territórios estão na base das crises que atingem o planeta e a humanidade, que agravam a crise climática. Esses crimes ainda ampliam a desigualdade social, naturalizando a violência e comprometendo o futuro de toda a humanidade. Por isso afirmamos que não aceitaremos a destruição apresentada como desenvolvimento sustentável ou economia verde”, diz trecho da carta de abertura do ATL 2026. 

As lideranças ainda destacam a morosidade dos processos de demarcação das terras indígenas, compromisso assumido em campanha pelo governo Lula. A falta de avanço, apontam, contribui diretamente para o aumento das invasões, da violência e da tentativa de exploração dos bens naturais. 

Além da Apib, o acampamento é realizado por outras oito entidades. Entre elas estão a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sudeste (ARPINSUDESTE).

Leia mais: STF suspende retirada de não indígenas de território tradicional, denunciam entidades

Também participam como organizadores a Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ARPINSUL), a Comissão Guarani Yvyrupa (CGY), o Conselho do Povo Terena, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Grande Assembleia do Povo Guarani e Kaiowá (ATY GUASU).

“Seguimos com a força dos nossos ancestrais. Abrimos o ATL 2026 com a nitidez de quem conhece o tamanho da ameaça e a força da própria resposta. Convocamos a sociedade brasileira e a comunidade internacional a se somarem à nossa luta. Fazemos desta carta um chamado à solidariedade com nossos povos”.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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