O julgamento de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, entrou no segundo dia nesta terça-feira (14).
A sessão ocorre no Tribunal do Júri do Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. A expectativa é que os sete jurados concluam a votação e a sentença ainda hoje.
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Representando a família da vítima, o advogado Hédio Silva Jr. afirmou que as provas do processo são irrefutáveis e pediu a condenação dos réus com a pena máxima.
“Uma investigação histórica na história da Polícia Civil da Bahia. Temos provas muito robustas, grampo telefônico, materiais, perícias, testemunhas… então, temos um conjunto de provas irrefutáveis”, declarou em nota à imprensa.
“Confio no discernimento dos jurados e hoje aqui só há um resultado possível: a condenação em pena máxima”, completou o advogado.
Marílio dos Santos, apontado pelo Ministério Público como mandante do crime e chefe do tráfico de drogas na região metropolitana de Salvador, permanece foragido. A legislação brasileira permite o julgamento de réu foragido quando há defesa técnica constituída, o que ocorre no caso.
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Anistia Internacional cobra justiça
A Anistia Internacional se manifestou nesta terça-feira (14) sobre o caso. A organização afirmou que o Brasil tem a oportunidade de firmar um pacto com a proteção de defensores e defensoras de direitos humanos.
“Hoje é o último dia do júri dos acusados pela execução de Maria Bernadete Pacífico, em Salvador, Bahia. Este julgamento é um teste do compromisso do Estado com a proteção de quem defende direitos”, diz a nota.
A entidade destacou que Mãe Bernadete sofreu ameaças por anos antes de ser assassinada.
“Após anos de ameaças denunciadas e ignoradas, a resposta precisa estar à altura da gravidade do crime. Porque justiça para Mãe Bernadete é também justiça para as comunidades quilombolas em todo o país”, concluiu a Anistia Internacional.
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O assassinato de Mãe Bernadete
O julgamento teve início na segunda-feira (13), com o sorteio dos sete jurados que compõem o conselho de sentença. Na sequência, o tribunal ouviu as testemunhas do caso e o depoimento de um dos réus, Arielson. Marílio não depôs por estar foragido.
O crime ocorreu em 17 de agosto de 2023, dentro da casa de Mãe Bernadete, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A líder quilombola foi atingida por 25 disparos de arma de fogo. Três netos da vítima estavam na residência no momento do ataque.
As outras três pessoas denunciadas pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último também acusado de ser mandante do crime, ainda não têm data para julgamento.