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A Copa tem a nossa cara: Alma Preta lança campanha para cobrir maior evento de futebol do mundo

Após cobertura inédita das Olimpíadas de Paris, agência projeta presença na Copa do Mundo de 2026 com foco em seleções negras
O atacante brasileiro Vinicius Jr. durante partida contra a Croácia, nos amistosos para a Copa, em Orlando, na Flórida, no dia 31 de março de 2026.

O atacante brasileiro Vinicius Jr. durante partida contra a Croácia, nos amistosos para a Copa, em Orlando, na Flórida, no dia 31 de março de 2026.

— Miguel J Rodrigues Carrillo/AFP

9 de maio de 2026

A cobertura esportiva da Alma Preta ganhou novos contornos a partir da experiência nas Olimpíadas de Paris, em 2024. Primeira mídia negra independente do Brasil a cobrir os Jogos Olímpicos in loco e com credenciamento oficial, a agência se aprofunda na cobertura centrada em experiências de atletas negros.

A trajetória abre caminho para a cobertura da Copa do Mundo 2026, que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá, em junho. A proposta é ampliar uma cobertura que articule esporte, raça, territórios e direitos humanos, focando em temas historicamente invisibilizados.

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O cofundador e diretor de audiência e notícias do veículo, Solon Neto, afirma que a construção da cobertura olímpica exigiu meses de preparação e adaptação para viabilizar uma operação inédita para uma mídia  negra independente. 

“Acho que o maior desafio estrutural está ligado ao pioneirismo dessa cobertura, levando em conta o fato de que nós somos a primeira mídia negra independente a fazer esse tipo de cobertura de forma credenciada”.

Leia mais: Alma Preta vai a Paris como 1ª mídia negra independente brasileira a cobrir as Olimpíadas

Segundo ele, o processo envolveu diálogo com profissionais que já haviam atuado em grandes eventos esportivos e demandou a criação de estratégias e logísticas que alinhassem as equipes no Brasil e na França. 

Durante as Olimpíadas, a Alma Preta se voltou à produção de reportagens voltadas às trajetórias de atletas negros do Brasil e de países da diáspora africana, abordando também questões sobre a população periférica francesa. 

“Todos os nossos textos e materiais tinham essa prerrogativa de tentar retratar as questões dos atletas e das atletas negras e negras do Brasil e do mundo nas Olimpíadas. Nós também buscamos mostrar a vida cotidiana da cidade sendo afetada pelos jogos”, destaca Neto. 

Leia mais:A vida está difícil’: na periferia de Paris, moradores contam queixas e esperanças sobre as Olimpíadas

A expectativa agora é acompanhar a Copa do Mundo, mantendo o foco sobre atletas negros, seleções africanas e a diáspora africana no futebol mundial. 

O tema ganha relevância diante do protagonismo de jogadores negros nos debates internacionais sobre racismo no esporte.

“O momento que nós vivemos no futebol mundial é um momento de crescimento de vozes antirracistas. Um grande exemplo é o Vinícius Júnior, mas outros jogadores também têm se posicionado e forçado a criação de medidas que vão estar presentes pela primeira vez em uma Copa do Mundo de combate ao racismo”.

Para o diretor, o financiamento coletivo é parte fundamental da estratégia para garantir a continuidade de uma cobertura esportiva comprometida com representatividade, memória e disputa de narrativas.

A campanha de arrecadação para a cobertura da Copa do Mundo de 2026 será realizada por meio da plataforma Catarse e busca ampliar a capacidade operacional da equipe durante o torneio.

“Qualquer cobertura de grande porte de um grande evento esportivo envolve um investimento pesado. Então, é necessário que haja esse tipo de financiamento para que a gente garanta uma cobertura de mais qualidade e, principalmente, que a gente consiga garantir que o olhar de uma agência negra e independente esteja presente na cobertura desse grande evento”, completa.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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