A cobertura esportiva da Alma Preta ganhou novos contornos a partir da experiência nas Olimpíadas de Paris, em 2024. Primeira mídia negra independente do Brasil a cobrir os Jogos Olímpicos in loco e com credenciamento oficial, a agência se aprofunda na cobertura centrada em experiências de atletas negros.
A trajetória abre caminho para a cobertura da Copa do Mundo 2026, que acontece nos Estados Unidos, México e Canadá, em junho. A proposta é ampliar uma cobertura que articule esporte, raça, territórios e direitos humanos, focando em temas historicamente invisibilizados.
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O cofundador e diretor de audiência e notícias do veículo, Solon Neto, afirma que a construção da cobertura olímpica exigiu meses de preparação e adaptação para viabilizar uma operação inédita para uma mídia negra independente.
“Acho que o maior desafio estrutural está ligado ao pioneirismo dessa cobertura, levando em conta o fato de que nós somos a primeira mídia negra independente a fazer esse tipo de cobertura de forma credenciada”.
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Segundo ele, o processo envolveu diálogo com profissionais que já haviam atuado em grandes eventos esportivos e demandou a criação de estratégias e logísticas que alinhassem as equipes no Brasil e na França.
Durante as Olimpíadas, a Alma Preta se voltou à produção de reportagens voltadas às trajetórias de atletas negros do Brasil e de países da diáspora africana, abordando também questões sobre a população periférica francesa.
“Todos os nossos textos e materiais tinham essa prerrogativa de tentar retratar as questões dos atletas e das atletas negras e negras do Brasil e do mundo nas Olimpíadas. Nós também buscamos mostrar a vida cotidiana da cidade sendo afetada pelos jogos”, destaca Neto.
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A expectativa agora é acompanhar a Copa do Mundo, mantendo o foco sobre atletas negros, seleções africanas e a diáspora africana no futebol mundial.
O tema ganha relevância diante do protagonismo de jogadores negros nos debates internacionais sobre racismo no esporte.
“O momento que nós vivemos no futebol mundial é um momento de crescimento de vozes antirracistas. Um grande exemplo é o Vinícius Júnior, mas outros jogadores também têm se posicionado e forçado a criação de medidas que vão estar presentes pela primeira vez em uma Copa do Mundo de combate ao racismo”.
Para o diretor, o financiamento coletivo é parte fundamental da estratégia para garantir a continuidade de uma cobertura esportiva comprometida com representatividade, memória e disputa de narrativas.
A campanha de arrecadação para a cobertura da Copa do Mundo de 2026 será realizada por meio da plataforma Catarse e busca ampliar a capacidade operacional da equipe durante o torneio.
“Qualquer cobertura de grande porte de um grande evento esportivo envolve um investimento pesado. Então, é necessário que haja esse tipo de financiamento para que a gente garanta uma cobertura de mais qualidade e, principalmente, que a gente consiga garantir que o olhar de uma agência negra e independente esteja presente na cobertura desse grande evento”, completa.