Moradores da Fazenda Botafogo, na Zona Norte do Rio de Janeiro, ficaram ilhados após as fortes chuvas registradas na segunda-feira (9), que provocaram o transbordamento do Rio Acari. A capital fluminense chegou ao estágio 3 de alerta e diversas casas voltaram a ser alagadas, evidenciando que as ações adotadas pela gestão municipal para conter os alagamentos não foram suficientes na localidade.
O cenário ocorre menos de três meses após o vice-prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), anunciar, em novembro de 2025, um plano de intervenções com o investimento superior a R$ 14 milhões para a limpeza da bacia do rio e o uso de máquinas de dragagem a fim de reduzir os riscos de enchentes na região.
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No entanto, a medida não trouxe benefícios para os moradores da região, que lidam historicamente com alagamentos quando o nível da água do rio sobe. Segundo o coletivo Fala Acari, que registrou os alagamentos, vários bairros da região estiveram em alerta. Acari está entre os locais mais afetados pelas chuvas.
O Centro de Operações Rio (COR) informou que, nesta terça-feira (10), a cidade retornou ao estágio 2 de alerta, mas recomendou que a população mantenha atenção contínua às condições climáticas.
Impactos em Japeri e denúncias de racismo ambiental
De acordo com o jornal Voz das Comunidades, diversas favelas da Zona Norte tiveram ruas alagadas, dificultando a circulação de moradores. Os estragos da chuva não se limitaram à capital. Na Baixada Fluminense, o bairro Nova Belém, em Japeri, também foi atingido.
O Espaço Cultural Código, associação cultural com 20 anos de atuação, teve sua sede prejudicada pelas fortes chuvas. A entidade denuncia racismo ambiental, apontando que obras públicas elevaram o nível do asfalto em mais de um metro, deixando o espaço abaixo do nível da via e facilitando a entrada de água e dejetos no imóvel.
A situação se agravou com obras realizadas em áreas vizinhas, resultando em prejuízos estruturais e artísticos. Houve perda de livros da biblioteca comunitária, danos a figurinos de peças premiadas e rachaduras nas paredes.
Na segunda-feira (9), o grupo protocolou um documento para a coleta de assinaturas em um abaixo-assinado, solicitando intervenções estruturais na rua junto às secretarias de Urbanismo, Obras, Governo e à Defesa Civil. O objetivo é garantir o escoamento adequado da água e a recuperação do espaço cultural.
Para assegurar a continuidade das atividades socioculturais, o coletivo mantém ativo um abaixo-assinado e uma vaquinha permanente para arrecadação de recursos destinados à recuperação do espaço e à reposição do material perdido. As iniciativas estão disponíveis nas redes sociais do grupo.