A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta segunda-feira (27) a 40ª edição do relatório “Conflitos no Campo Brasil”, que aponta os povos indígenas como as principais vítimas de violência relacionada à terra em 2025, com 258 ocorrências. Em seguida aparecem posseiros (248), quilombolas (244) e trabalhadores sem-terra (153).
Segundo o levantamento, houve redução de 28% nos registros gerais de conflitos no campo, que passaram de 2.207, em 2024, para 1.593 em 2025. Apesar da queda, a violência letal aumentou: o número de assassinatos de trabalhadores e de povos da terra, das águas e das florestas dobrou, passando de 13 para 26 vítimas no período.
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A maioria dos assassinatos ocorreu na Amazônia Legal, com 16 casos sendo sete no Pará, sete em Rondônia e dois no Amazonas. O relatório indica que fazendeiros foram os principais envolvidos nas mortes: dos 26 casos registrados, 20 tiveram participação desse grupo, como mandantes ou executores.
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Outros indicadores de violência também cresceram entre 2024 e 2025, como prisões (de 71 para 111), casos de humilhação (de cinco para 142) e registros de cárcere privado (de um para 105). De acordo com a CPT, o aumento está associado, em parte, a ações pontuais de forças estatais.
Entre as principais ocorrências no eixo terra, destacam-se contaminação por agrotóxicos (127 casos), invasões (193) e pistolagem (113). Os fazendeiros lideram entre os agentes causadores de violência nesse eixo, com 515 registros, seguidos por empresários (180), governo federal (114) e governos estaduais (85).
Nos conflitos relacionados à água, predominam situações de resistência das comunidades à destruição ou poluição de recursos hídricos (1.034 casos), descumprimento de procedimentos legais (754), diminuição do acesso à água (425) e contaminação por agrotóxicos (129).
Os povos indígenas também são os mais afetados nesse eixo, com 42 ocorrências, seguidos por quilombolas (24), pequenos agricultores (20) e ribeirinhos (17).
Já entre os principais agentes de violência nos conflitos pela água estão mineradoras (34), empresários (29), garimpeiros (26), fazendeiros (23) e usinas hidrelétricas (nove).
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