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Assassinatos por conflitos de terra dobram em 2025, aponta relatório

Dados da Comissão Pastoral da Terra revelam que os povos indígenas são as principais vítimas da violência no campo
Uma comunidade indígena vista de cima.

Uma comunidade indígena vista de cima.

— Fernando Frazão/Agência Brasil

27 de abril de 2026

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta segunda-feira (27) a 40ª edição do relatório “Conflitos no Campo Brasil”, que aponta os povos indígenas como as principais vítimas de violência relacionada à terra em 2025, com 258 ocorrências. Em seguida aparecem posseiros (248), quilombolas (244) e trabalhadores sem-terra (153). 

Segundo o levantamento, houve redução de 28% nos registros gerais de conflitos no campo, que passaram de 2.207, em 2024, para 1.593 em 2025. Apesar da queda, a violência letal aumentou: o número de assassinatos de trabalhadores e de povos da terra, das águas e das florestas dobrou, passando de 13 para 26 vítimas no período. 

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A maioria dos assassinatos ocorreu na Amazônia Legal, com 16 casos sendo sete no Pará, sete em Rondônia e dois no Amazonas. O relatório indica que fazendeiros foram os principais envolvidos nas mortes: dos 26 casos registrados, 20 tiveram participação desse grupo, como mandantes ou executores. 

Leia mais: ‘Intensifica a violência’: grupo denuncia projeto que libera garimpo em terras indígenas

Outros indicadores de violência também cresceram entre 2024 e 2025, como prisões (de 71 para 111), casos de humilhação (de cinco para 142) e registros de cárcere privado (de um para 105). De acordo com a CPT, o aumento está associado, em parte, a ações pontuais de forças estatais. 

Entre as  principais ocorrências no eixo terra, destacam-se contaminação por agrotóxicos (127 casos), invasões (193) e pistolagem (113). Os fazendeiros lideram entre os agentes causadores de violência nesse eixo, com 515 registros, seguidos por empresários (180), governo federal (114) e governos estaduais (85). 

Nos conflitos relacionados à água, predominam situações de resistência das comunidades à destruição ou poluição de recursos hídricos (1.034 casos), descumprimento de procedimentos legais (754), diminuição do acesso à água (425) e contaminação por agrotóxicos (129).

Os povos indígenas também são os mais afetados nesse eixo, com 42 ocorrências, seguidos por quilombolas (24), pequenos agricultores (20) e ribeirinhos (17).

Já entre os principais agentes de violência nos conflitos pela água estão mineradoras (34), empresários (29), garimpeiros (26), fazendeiros (23) e usinas hidrelétricas (nove).

Leia mais: Após escalada de violência contra indígenas, MPF cobra Funai sobre demarcação de terras

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  • Thayná Santana

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