Parlamentares negros reagiram à confirmação do tarifaço imposto pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras.
A medida entra em vigor em 22 de julho e resulta de uma investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
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Segundo o governo estadunidense, o Brasil adota práticas que restringem o comércio com os Estados Unidos. Entre os argumentos apresentados estão críticas ao sistema de pagamentos Pix, ao acesso ao mercado de etanol, ao combate ao desmatamento ilegal e à regulação de plataformas digitais.
Apesar da sobretaxa, produtos como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da lista.
Em resposta, o governo brasileiro afirmou que a decisão representa um “marco lastimável” na relação entre os dois países e anunciou que utilizará os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade.
O Planalto também contestou as justificativas apresentadas por Washington e reiterou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial na relação bilateral com o Brasil.
Parlamentares negros classificam medida como ataque à soberania
A confirmação do tarifaço provocou reação de parlamentares negros, que classificaram a medida como um ataque à soberania brasileira e criticaram a atuação da família Bolsonaro nas negociações com o governo norte-americano.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) afirmou que a decisão dos Estados Unidos foi resultado da articulação da família Bolsonaro contra o próprio país. Segundo ela, o tarifaço busca pressionar o Brasil tanto por questões políticas quanto econômicas, incluindo críticas ao sistema de pagamentos Pix e à regulação das plataformas digitais.
“A liberdade da família Bolsonaro vale mais que os empregos e o sustento das famílias brasileiras”, criticou Hilton em seu perfil nas redes sociais.
A parlamentar também defendeu a aplicação da Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso, como resposta às tarifas impostas por Washington.
Na mesma linha, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que a medida representa uma tentativa de interferência na política brasileira e disse que o país não pode abrir mão de instrumentos como o Pix nem da regulação das plataformas digitais para atender interesses estrangeiros.
“O PIX É DO BRASIL. (…) O tarifaço é uma tentativa descarada de intervenção na política e nas eleições do Brasil”, publicou em seu perfil no X.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) também defendeu a reação do governo brasileiro. Para ela, recorrer à Lei da Reciprocidade e à Organização Mundial do Comércio (OMC) representa uma forma de proteger empregos e responder a medidas unilaterais dos Estados Unidos.
A parlamentar ainda afirmou que políticos que atuam contra os interesses do país não podem reivindicar o discurso do patriotismo.
O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) afirmou que o aumento das tarifas penaliza trabalhadores brasileiros para proteger interesses políticos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. “Uma família que pediu a uma potência estrangeira para taxar o Brasil não ama este país. Ama o próprio poder.”
Já a deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) avaliou que o tarifaço faz parte de uma estratégia de pressão sobre a soberania brasileira e defendeu a adoção da Lei da Reciprocidade pelo governo federal.
O deputado estadual Matheus Gomes (PSOL-RS), por sua vez, criticou parlamentares gaúchos que apoiaram a medida, afirmando que a taxação prejudica a economia do Rio Grande do Sul.
Governo promete resposta
Em nota oficial, o Palácio do Planalto classificou a decisão dos Estados Unidos como unilateral e afirmou que não há justificativa para a imposição das tarifas.
O governo também reiterou que os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões (R$ 2,1 trilhões) na relação comercial com o Brasil nos últimos 15 anos, defendeu o Pix como patrimônio nacional e informou que recorrerá aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade para responder às medidas anunciadas por Washington.
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