Um ataque na Terra Indígena (TI) Ventarra, da etnia Kaingang, na cidade de Erebango (RS), resultou em uma morte e uma pessoa ferida, além de incêndios nas residências. A denúncia foi feita pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) nesta segunda-feira (9).
O caso ocorreu no último sábado (7), quando havia apenas sete agentes da Força Nacional no território, de cerca de 772 hectares. Em comunicado, o conselho informou que o número foi insuficiente diante da dimensão da situação.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
Equipes da Brigada Militar, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ambulâncias do município e dos bombeiros foram deslocadas para prestar socorro às vítimas. Após o ocorrido, famílias indígenas relataram medo e profunda insegurança.
Classificado pela entidade como “tragédia anunciada”, o episódio ocorre após um longo contexto de disputa territorial, iniciado em 2025, entre grupos internos com interesse no arrendamento de áreas para não indígenas e apoiados por agentes externos com interesses privados.
De acordo com o comunicado, tais agentes vêm estimulando e alimentando o conflito, fornecendo armas aos envolvidos.
“O resultado dessa situação é devastador. Nos últimos meses, a comunidade já contabiliza três mortes, diversos feridos e dezenas de casas e veículos incendiados, deixando famílias inteiras em situação de vulnerabilidade extrema. Mulheres, crianças e idosos vivem sob permanente ameaça, muitos tendo que abandonar suas casas para proteger a própria vida”, diz trecho da denúncia.
O Cimi cobra do Ministério da Justiça, do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Polícia Federal (PF) a ampliação urgente da presença institucional no território, para garantir a proteção das famílias Kaingang.
Em comunicado, a organização também requer uma investigação rigorosa sobre a atuação daqueles que estariam incentivando, financiando ou armando o conflito; além da adoção de mecanismos de mediação e pacificação, com a participação das próprias lideranças indígenas.
“É inaceitável que comunidades indígenas sejam abandonadas à própria sorte, vivendo sob a lógica da violência, enquanto interesses externos disputam e se beneficiam de seus territórios. A omissão do Estado brasileiro diante dessa realidade não apenas agrava o conflito, como também coloca em risco a vida de dezenas de famílias Kaingang”.