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Bolsonaro é condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pelo STF por golpe de Estado e outros crimes

O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua garagem durante prisão domiciliar, em Brasília, 11 de setembro de 2025

O ex-presidente Jair Bolsonaro em sua garagem durante prisão domiciliar, em Brasília, 11 de setembro de 2025

— Sergio Lima/AFP

11 de setembro de 2025

Nesta quinta-feira (11), o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a 27 anos e três meses de prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro por cinco crimes, incluindo tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente, que liderou o país de 2019 a 2022, também foi condenado a pagar 124 dias de multa, sendo cada dia o equivalente a dois salários mínimos, atualmente em R$ 1.518.

Além dele, outros sete aliados na chamada trama golpista também foram condenados pelos mesmos crimes — os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Souza Braga Netto; o almirante Almir Garnier; os ex-ministros Alexandre Ramagem (PL) e Mauro Cid.

Os réus foram julgados e condenados por 4×1 na Primeira Turma do STF por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado — sendo os últimos dois crimes não imputados a Alexandre Ramagem pelo Supremo. Os crimes foram apontados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após inquérito da Polícia Federal.

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O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e advogados, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), Brasília, 25 de março de 2025.
O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e advogados, durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), Brasília, 25 de março de 2025 (Foto: Supremo Tribunal Federal/AFP).

O conjunto de crimes atribuídos aos condenados faz parte de um plano de tomada do poder no Brasil liderado por Bolsonaro, incluindo planos de assassinato de autoridades, ataques à legitimidade do processo eleitoral brasileiro, interferência nas eleições de 2022 e os ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Essa é a primeira vez que o Brasil julga e condena militares de alta patente, como os generais e o almirante que sentaram no banco dos réus no Supremo, por golpe de Estado. É também a primeira vez que um ex-presidente é condenado por esse crime.

O julgamento histórico ocorreu ao longo de quatro sessões, em 2, 3, 9, 10 e 11 de setembro com a participação dos ministros da Primeira Turma do STF: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux.

Dos cinco ministros, apenas Fux não condenou todos os acusados, tendo considerado culpados apenas Mauro Cid e Walter Braga Netto — ambos somente pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

As penas dos condenados pela trama golpista

  • Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República e capitão reformado do Exército Brasileiro:
    – 27 anos e três meses de prisão, além de 124 dias-multa de dois salários mínimos cada.
  • Almir Garnier Santos, almirante e ex-comandante da Marinha do Brasil:
    – 24 anos de prisão e 100 dias-multa de um salário mínimo cada.
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, ex-secretário de Segurança do Distrito Federal e Delegado da Polícia Federal:
    – 24 anos de prisão e 100 dias-multa de um salário mínimo cada.
  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-delegado da Polícia Federal:
    16 anos e um mês de prisão, além de 50 dias-multa de um salário mínimo cada.
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional e general do Exército Brasileiro:
    18 anos e oito meses de prisão, além de 84 dias-multa de um salário mínimo cada.
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e tenente-coronel do Exército Brasileiro:
    – Dois anos de prisão. Cid teve pena reduzida devido a um acordo de delação premiada.
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, general e ex-comandante do Exército Brasileiro:
    19 anos de prisão e 84 dias-multa de um salário mínimo cada.
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, além de general do Exército Brasileiro:
    – 26 anos de prisão e 100 dias-multa de um salário mínimo cada.

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  • Solon Neto

    Cofundador e diretor de comunicação da agência Alma Preta Jornalismo; mestre e jornalista formado pela UNESP; ex-correspondente da agência internacional Sputnik News.

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