PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Com voto de Cármen Lúcia, STF forma maioria para condenar Bolsonaro 

Voto de ministra Cármen Lúcia define placar da condenação de Bolsonaro e aliados; ação é a primeira a condenar generais e almirante por golpe de Estado
O ex-presidente Jair Bolsonaro, no dia 11 de setembro de 2025.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, no dia 11 de setembro de 2025.

— Sergio Lima / AFP

11 de setembro de 2025

Na tarde desta quinta-feira (11), a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, votou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete acusados, entre os quais cinco são militares, julgados por tentativa de golpe de Estado.

A ministra é a quarta integrante da Primeira Turma do STF a se manifestar na Ação Penal (AP) 2668, que julga Bolsonaro e seus aliados pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, organização criminosa armada, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino se manifestaram a favor da condenação do ex-presidente e outros réus, na última terça-feira (9). No entanto, o ministro Luiz Fux divergiu, na quarta-feira (10), dos demais e defendeu a absolvição de Bolsonaro de todas as acusações.

Antes do voto, Cármen Lúcia negou todos os questionamentos levantados pela defesa dos réus e ressaltou a competência do Supremo para julgar a ação, que apontou ser um encontro do país com seu passado de golpes de Estado. Essa é a primeira vez em que três generais e um almirante são julgados por articulações golpistas.

“O que há de diferente nesta ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro, na área, especialmente, das políticas públicas e do golpe de Estado […] O Supremo tem o dever de fazer com que todos os julgamentos observem os direitos fundamentais”, declarou.

Carmen Lúcia acompanhou o entendimento do relator, ministro Alexandre de Moraes, e votou a favor da condenação do ex-presidente, apontado como líder da organização criminosa que atentou contra o Estado Democrático de Direito.

“Jair Messias Bolsonaro praticou os crimes que são imputados a ele na condição de líder da organização criminosa. Ele não foi tragado para o cenário das insurgências. Ele é o causador e o líder de uma organização que promovia todas as formas de articulação alinhada para que se chegasse ao objetivo da manutenção ou tomada do poder”.

De acordo com a ministra, as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) comprovam a articulação do chamado ‘Núcleo 1’, composto pelo tenente-coronel Mauro Cid; o delegado e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ); Anderson Torres; e os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.

A PGR acusa o grupo de atuar coordenadamente, por meio de “milícia digital”, para atacar o Poder Judiciário, com ênfase na Justiça Eleitoral e nas urnas eletrônicas. 

Com o voto de Carmen Lúcia, o STF atingiu o mínimo necessário para a condenação dos oito réus. Ainda falta o voto do ministro Cristiano Zanin, para que o colegiado realize a dosimetria de pena, cálculo feito pelos juízes para definição da pena imposta.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano