PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

COP30 no Brasil: 5 acontecimentos que marcaram a conferência do clima

Declarações políticas, demarcações indígenas, protestos e controvérsias marcaram a primeira COP sediada pelo Brasil
Policial federal armado guarda a entrada da COP30 após protesto de indígenas, Belém, 12 de novembro de 2025

Policial federal armado guarda a entrada da COP30 após protesto de indígenas, Belém, 12 de novembro de 2025

— Vinicius Martins/Alma Preta

20 de dezembro de 2025

O Brasil sediou, pela primeira vez, em novembro de 2025, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30). A reunião, que ocorreu em Belém, é o principal espaço deliberativo da Organização das Nações Unidas (ONU) para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

A COP, também conhecida como Conferência do Clima, é o órgão composto por países signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (CQNUMC), acordo ambiental da comunidade internacional para mitigar os impactos das alterações climáticas e frear as emissões de gases poluentes na atmosfera.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

A estreia do país como anfitrião reuniu a atenção da imprensa mundial, que voltou seu foco para o coração da Amazônia. O evento foi marcado por importantes conquistas, momentos marcantes e presenças controversas nas mesas de negociações. 

Com uma equipe de sete profissionais, a Alma Preta realizou a cobertura direto da capital paraense e expôs alguns dos acontecimentos. Relembre aqui cinco momentos marcantes da COP30:

Declaração contra o racismo ambiental 

A Declaração de Belém contra o Racismo Ambiental foi assinada em 7 de novembro de 2025, durante a Cúpula dos Líderes da COP30. O documento, elaborado com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR), propõe a incorporação da justiça racial como eixo estruturante da governança climática global, ao reconhecer que os impactos da crise ambiental recaem de forma desproporcional sobre populações negras, indígenas e comunidades tradicionais.

Com a participação de 19 chefes de Estado e de governo, o documento estabelece diretrizes para que políticas climáticas internacionais enfrentem desigualdades históricas associadas ao racismo ambiental, apontado como resultado de práticas e decisões que expõem determinados grupos a maiores riscos e danos ambientais. 

O texto também afirma que o desenvolvimento sustentável só será possível com a superação das desigualdades raciais e sociais que moldam a distribuição desses impactos no contexto da crise climática.

Presença de empresas poluidoras

A participação da Braskem na COP30 gerou diversos questionamentos entre as organizações da sociedade civil, devido à responsabilidade no desastre socioambiental provocado pela extração de sal-gema da empresa em Maceió. 

A companhia anunciou presença em painéis oficiais sobre bioeconomia e descarbonização da indústria química, nos dias 13 e 14 de novembro, apresentando metas ambientais e investimentos em tecnologias sustentáveis.

O desastre provocou o deslocamento de cerca de 60 mil pessoas, a destruição de cinco bairros, além do fechamento de 40 escolas e 12 unidades de saúde, com impactos sociais e econômicos que persistem mesmo após acordos e indenizações. 

À época, o Observatório do Caso Braskem questionou a participação da empresa e apontou a contradição entre o discurso corporativo de sustentabilidade e a ausência de reparação plena, justiça climática e reconstrução dos territórios afetados. 

A Solvay-Rhodia, companhia do setor químico, conhecida antigamente como Rhodia, também foi um dos empreendimentos que compuseram a iniciativa da indústria brasileira de apresentar projetos sustentáveis na COP30. 

A empresa despejou produtos químicos de maneira clandestina em São Vicente, Cubatão e Itanhaém e foi fechada pela Justiça paulista em 1993. Segundo as estimativas, entre 1974 e 1993, foi despejado 20 mil toneladas de resíduos tóxicos no meio ambiente. Ainda devem existir 33 mil toneladas de solo contaminado na região.

Manifestações e seguranças armados

A COP30 foi evacuada temporariamente no dia 11 de novembro, após manifestantes tentarem entrar na Blue Zone (Zona Azul), área que exige credenciamento onde circulam autoridades de diversos países.

Entre os participantes do ato, estavam movimentos sociais e alguns povos indígenas, que exibiam bandeiras e faixas contra a exploração de petróleo. 

Conforme apurado pela Alma Preta, o local foi bloqueado por um cordão de bombeiros logo após o ocorrido e evacuado em seguida. Ao menos 12 policiais federais armados com armas de grosso calibre bloquearam a entrada na ocasião, além de seguranças privados.

Em comunicado, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) afirmou ter tomado conhecimento da manifestação, mas ressaltou que não coordenou a atividade. A entidade reforçou que o movimento indígena é amplo e que respeita a autonomia de cada povo em suas formas próprias de organização e expressão política. 

Demarcação de terras indígenas

O governo federal oficializou, no dia 17 de novembro de 2025, a demarcação de dez terras indígenas durante a COP30, realizada em Belém. As portarias foram assinadas pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, em ação conjunta com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI).

A medida marca a retomada das demarcações após um período de estagnação desde 2018 e amplia para 21 o número de terras reconhecidas no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os territórios está o Tupinambá de Olivença (BA), cuja demarcação havia sido prometida durante a devolução do Manto dos Tupinambá, repatriado da Dinamarca em 2024, além de áreas ocupadas por povos Mura, Pataxó, Guarani-Kaiowá, Munduruku, Pankará e Guarani-Mbya, em diferentes regiões e biomas do país.

Dono de empresa de segurança da COP30 é alvo de operação da PF

Conforme apurou a reportagem exclusiva da Alma Preta, o dono da Jaguar Segurança, empresa contratada para atuar na segurança da COP30, é um policial militar da reserva alvo de uma operação da Polícia Federal. 

Segundo registros judiciais e informações oficiais, José Antônio da Silva já foi investigado por ter participado supostamente da extorsão de um traficante em Belém. Em outra empresa na qual era procurador, o PM já entregou armas para pessoas sem o porte para trabalho.

Durante o protesto na Blue Zone, os seguranças da Jaguar entraram em confronto com os manifestantes e atuaram junto aos policiais das Nações Unidas para impedir o avanço da mobilização.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano