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Calor extremo leva sistemas alimentares globais ao limite, alerta ONU

Relatório da FAO e OMM aponta perda anual de meio trilhão de horas de trabalho e impactos severos em colheitas, pecuária e pesca; Brasil perdeu até 20% da produção de soja em 2023 e 2024
Mulher caminha em um solo seco.

Mulher caminha em um solo seco.

— Reprodução/Freepik

23 de abril de 2026

O calor extremo está levando os sistemas alimentares globais ao limite. A conclusão consta de um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta quinta-feira (23). 

O documento alerta que o fenômeno já causa a perda anual de meio trilhão de horas de trabalho e que os impactos devem se intensificar com o aumento das temperaturas.

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“O calor extremo define cada vez mais as condições sob as quais os sistemas agroalimentares operam”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. Ela alertou que o fenômeno atua como “um fator de risco agravante que amplifica as fraquezas existentes nos sistemas agrícolas”.

O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, classificou o calor extremo como “um grande multiplicador de risco”. “Exerce pressão crescente sobre colheitas, pecuária, pesca e florestas, e sobre as comunidades e economias que dependem deles”, afirmou em publicação da ONU.

No Brasil, ondas de calor prolongadas e condições de seca em 2023 e 2024 reduziram a produção de soja em até 20%. Na América do Norte, uma grande onda de calor em 2021 causou perdas significativas em colheitas de frutas e um forte aumento nos incêndios florestais.

O impacto humano também é grave. Em partes do sul da Ásia, da África Subsaariana e da América Latina, o número de dias quentes demais para o trabalho pode chegar a 250 por ano. A situação coloca milhões de trabalhadores agrícolas em risco e compromete a produção de alimentos.

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Respostas necessárias

O relatório pede medidas urgentes de adaptação. As ações incluem o desenvolvimento de culturas resistentes ao calor, o ajuste dos calendários de plantio e a melhoria das práticas de gestão agrícola. 

Sistemas de alerta precoce e acesso a apoio financeiro (como seguros e proteção social) também são essenciais para ajudar os agricultores a lidar com os riscos crescentes.

“Proteger o futuro da agricultura e garantir a segurança alimentar global exigirá não apenas a construção de resiliência nas fazendas, mas também uma transição decisiva para longe de um futuro de altas emissões”, concluem as agências da ONU.


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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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