O calor extremo está levando os sistemas alimentares globais ao limite. A conclusão consta de um relatório conjunto da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta quinta-feira (23).
O documento alerta que o fenômeno já causa a perda anual de meio trilhão de horas de trabalho e que os impactos devem se intensificar com o aumento das temperaturas.
Quer receber nossa newsletter?
Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!
“O calor extremo define cada vez mais as condições sob as quais os sistemas agroalimentares operam”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo. Ela alertou que o fenômeno atua como “um fator de risco agravante que amplifica as fraquezas existentes nos sistemas agrícolas”.
O diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, classificou o calor extremo como “um grande multiplicador de risco”. “Exerce pressão crescente sobre colheitas, pecuária, pesca e florestas, e sobre as comunidades e economias que dependem deles”, afirmou em publicação da ONU.
No Brasil, ondas de calor prolongadas e condições de seca em 2023 e 2024 reduziram a produção de soja em até 20%. Na América do Norte, uma grande onda de calor em 2021 causou perdas significativas em colheitas de frutas e um forte aumento nos incêndios florestais.
O impacto humano também é grave. Em partes do sul da Ásia, da África Subsaariana e da América Latina, o número de dias quentes demais para o trabalho pode chegar a 250 por ano. A situação coloca milhões de trabalhadores agrícolas em risco e compromete a produção de alimentos.
Leia mais: Calor extremo aumenta evasão de alunos do ensino médio em escolas públicas, aponta estudo
Respostas necessárias
O relatório pede medidas urgentes de adaptação. As ações incluem o desenvolvimento de culturas resistentes ao calor, o ajuste dos calendários de plantio e a melhoria das práticas de gestão agrícola.
Sistemas de alerta precoce e acesso a apoio financeiro (como seguros e proteção social) também são essenciais para ajudar os agricultores a lidar com os riscos crescentes.
“Proteger o futuro da agricultura e garantir a segurança alimentar global exigirá não apenas a construção de resiliência nas fazendas, mas também uma transição decisiva para longe de um futuro de altas emissões”, concluem as agências da ONU.