A campanha “Alê Livre”, assinada por entidades e movimentos sociais, busca arrecadar recursos financeiros para buscar a liberdade de Alessandra Moja Cunha, mulher negra e uma das lideranças da Favela do Moinho,em São Paulo. Ela foi presa no dia 8 de setembro de 2025, acusada de associação ao tráfico, o que familiares negam que seja verdade.
Na quinta-feira (5), a Defensoria Pública realizou uma audiência pública pedindo a liberdade de Alessandra e denunciando a criminalização da Favela do Moinho. A área onde está localizada a comunidade pertence à União, mas vinha sendo alvo de ações do governo do estado de São Paulo sob o argumento da criação de um parque e da estação Bom Retiro.
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As tentativas de remoção resultaram em uma série de confrontos marcados por violência policial e se tornaram alvo de denúncias de moradores e parlamentares.
Em 2025, o governo federal chegou a realizar um acordo para garantir subsídio integral à aquisição de moradias para toda a comunidade, mas muitos moradores não conseguiram reunir a documentação dentro do prazo ou atender às exigências de renda e a outras burocracias. Com isso, parte das famílias tem sido obrigada a deixar a favela sem ter uma moradia garantida.
Entenda o caso
Nesse contexto de reivindicação pelo direito à moradia, no dia 8 de setembro de 2025, durante uma operação policial coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, agentes decretaram a prisão de Alessandra. Ela foi acusada de participação em organização criminosa, extorsão, receptação, crime ambiental e associação ao tráfico.
Segundo relatos, durante a ação policial a casa de Alessandra foi arrombada e ela teria sido agredida por agentes. Os apoiadores também denunciam que policiais teriam forjado uma mochila com entorpecentes para incriminá-la.
Antes da prisão, segundo a campanha, Moja já havia sido ameçada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) em meio aos conflitos envolvendo a comunidade e também foi alvo de criminalização por ser ex-presidiária, condição que tem sido utilizada para deslegitimar sua atuação como liderança na comunidade.
Em publicações nas redes sociais, ativistas recordam a trajetória de Moja, que há cerca de 15 anos atua na defesa da comunidade. Entre as pautas levantadas estão a gratuidade das moradias, a regularização fundiária, o acesso à água, luz e saneamento básico, além da permanência dos moradores no território.
Alessandra também foi uma das principais responsáveis pela promoção e manutenção de espaços coletivos voltados a atividades culturais na favela, como a Casa Pública, o Parque Vermelhão e o Cine Moinho.
Ainda de acordo com a campanha, Alessandra foi transferida sem justificativa para uma penitenciária em Tupi Paulista, a cerca de 700 quilômetros da capital paulista. No local, ela teria direito a apenas quatro horas diárias de banho de sol e não tem conseguido receber visitas pessoais devido à distância e às dificuldades de deslocamento dos familiares.
A família afirma não ter condições financeiras de custear viagens ao interior do estado e também relata dificuldades para enviar o chamado “jumbo”, conjunto de mantimentos com itens de higiene, alimentos, produtos de limpeza e roupas permitido periodicamente nas unidades prisionais.
O caso é acompanhado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), que assumiu gratuitamente a defesa da liderança comunitária.