A primeira escola de ensino médio em tempo integral quilombola do Ceará foi inaugurada nesta segunda-feira (18), no distrito de Queimadas, em Horizonte. A EEMTI Quilombola Antônia Ramalho da Silva surgiu a partir de reivindicações da comunidade local.
A solenidade contou com a presença do governador Elmano de Freitas, do presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri, da secretária da Educação, Eliana Estrela, do prefeito de Horizonte, Nezinho Farias, entre outras autoridades.
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Com investimento de R$ 12,9 milhões, a escola foi construída em padrão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC). O prédio conta com quatro salas de aula, quatro laboratórios de Ciências, um laboratório de Informática, biblioteca, quadra poliesportiva coberta, auditório, jardins, áreas de circulação com acessibilidade e espaços de convivência.
Atualmente, 266 estudantes estão matriculados para o ano letivo de 2025. O currículo é diferenciado e busca valorizar a identidade cultural quilombola, organizado em oito eixos: memória, oralidade, comunidade, territorialidade, ancestralidade, tecnologias, saúde da população quilombola e mulher quilombola.
Um sonho coletivo
O protagonismo da inauguração veio dos jovens quilombolas. Ariadny Santos, aluna do 3º ano que deseja cursar Medicina na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), falou sobre o impacto da escola.
“Antes, dividíamos o espaço com estudantes do ensino fundamental. Agora temos a nossa escola, onde podemos nos conectar à ancestralidade. Essa conquista é uma vitória da comunidade“, compartilhou, segundo comunicado do governo cearense.
Raica Vitória, neta de Antônia Ramalho da Silva, que dá nome à instituição, emocionou-se ao lembrar da trajetória da avó: “Completar o Ensino Médio aqui é ver o sonho dela realizado. Essa escola nos dá a possibilidade de sermos nós mesmos.”
Para a comunidade, cada detalhe da construção carrega um peso simbólico. Parte dos trabalhadores da obra foram pais e mães de alunos. “Cada tijolo aqui foi colocado com o suor de trabalhadores da própria comunidade”, lembrou o diretor da escola, Gustavo Vasconcelos, também filho do território quilombola.