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Estátua de Milena, 1ª protagonista negra da Turma da Mônica, tem cabeça arrancada em SP

Escultura será restaurada após ato de vandalismo em Perus; personagem criada em 2017 simboliza avanço na representação de crianças negras nos quadrinhos
Estátua de bronze da personagem Milena, da Turma da Mônica, com a cabeça quebrada.

Estátua de bronze da personagem Milena, da Turma da Mônica, com a cabeça quebrada.

— GCM/Divulgação

8 de julho de 2026

A estátua de bronze de Milena, primeira protagonista negra da Turma da Mônica, teve a cabeça arrancada em Perus, na zona noroeste de São Paulo. O responsável pelo dano ainda não foi identificado.

A peça integra a exposição composta por 91 esculturas espalhadas pela capital paulista em homenagem aos 90 anos do cartunista Mauricio de Sousa. Segundo a Prefeitura de São Paulo, o caso foi identificado durante patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana no último domingo (5) e registrado no 33º Distrito Policial.

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A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa informou que comunicou o incidente ao Instituto Mauricio de Sousa, responsável pela manutenção das esculturas. A obra foi retirada do local para restauração e deverá retornar ao mesmo ponto após o reparo. A prefeitura também anunciou reforço na fiscalização.

Criada em 2017, Milena se tornou a primeira menina negra a integrar o núcleo principal da Turma da Mônica, quase seis décadas após o surgimento dos personagens centrais da série. A personagem passou a dividir espaço com Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.

A criação da personagem representou uma mudança na forma como pessoas negras passaram a aparecer nas histórias produzidas pelo estúdio de Mauricio de Sousa. Antes de Milena, personagens negros já faziam parte do universo da Turma da Mônica, como Jeremias, mas não ocupavam o grupo central de protagonistas.

Em entrevista concedida à Alma Preta por ocasião do lançamento da primeira revista solo da personagem, a coordenadora de conteúdo da Mauricio de Sousa Produções, Giulia Ebohon, afirmou que a construção da HQ buscou evitar representações estereotipadas da personagem.

“Existe uma preocupação de não reforçar estereótipos”, afirmou a roteirista ao comentar o processo de criação da revista, desenvolvida por uma equipe formada por autoras negras.

Na ocasião, Ebohon explicou que a produção envolveu discussões sobre representatividade e a construção de narrativas que refletissem a experiência de crianças negras sem restringir a personagem ao tema do racismo.

Leia mais: ‘Existe uma preocupação de não reforçar estereótipos’, diz roteirista sobre HQ da Milena

Única escultura danificada

Segundo informações divulgadas pela imprensa, a estátua de Milena foi a única peça do circuito cultural a sofrer danos dessa proporção desde a instalação da exposição. As esculturas ocupam diferentes pontos da cidade, como a Avenida Paulista, o Parque Ibirapuera, a Praça da República e o Edifício Copan.

Além de celebrar os 90 anos de Mauricio de Sousa, a iniciativa integra a programação organizada após a Turma da Mônica ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo. O projeto também inclui exposições, oficinas, distribuição de gibis e outras atividades voltadas ao público.

As esculturas foram produzidas pelo artista Eduardo Santos, responsável por monumentos públicos em diferentes cidades brasileiras. A peça de Milena também conta com recurso de audiodescrição para ampliar a acessibilidade da exposição.

Até a publicação desta reportagem, não houve informações sobre a autoria do vandalismo. A investigação segue sob responsabilidade da Polícia Civil.

Leia mais: Milena, da Turma da Mônica, ganha 1º livro

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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