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Cláudio Castro deve responder ao STF sobre uso de câmeras corporais em operação na Penha e no Alemão

Governador do Rio de Janeiro deverá informar sobre prestação de assistência às vítimas e seus familiares, além de outras medidas fixadas pelo julgamento da ADPF das Favelas
Duas pessoas andam de moto na favela do Cruzeiro, no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

Duas pessoas andam de moto na favela do Cruzeiro, no Complexo da Penha, Rio de Janeiro, em 28 de outubro de 2025.

— Mauro Pimentel/AFP

30 de outubro de 2025

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, solicitou informações ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), sobre a operação policial deflagrada nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou em mais de uma centena de mortos.

O pedido foi realizado na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, também conhecida como ADPF das Favelas. Na terça-feira (28), após a ação, Moraes foi escolhido temporariamente para tomar decisões urgentes sobre a ação, que definiu critérios para a realização de operações policiais no estado fluminense.

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O julgamento da ADPF das Favelas resultou em um plano de redução da letalidade policial, que determina providências como o uso de câmeras corporais, a proibição de operações noturnas e a obrigação da presença de ambulâncias o mais próximo possível do local sempre que houver risco de conflito armado. Agora, o STF busca entender se as diretrizes foram seguidas pelo governo fluminense. 

Moraes solicitou ao governador o relatório circunstanciado sobre a Operação Contenção, a definição prévia do grau de força adequado e a justificativa formal para sua realização. Castro também deverá informar o número de agentes envolvidos, a identificação das forças atuantes e armamentos utilizados, além do número oficial de mortos, feridos e pessoas detidas. 

O governo estadual precisará responder se adotou as medidas necessárias para garantir a responsabilização em caso de eventuais abusos e violações de direitos, incluindo a assistência às vítimas e suas famílias, o uso de câmeras corporais e a atuação de órgãos periciais. 

O ministro convocou uma audiência para a próxima segunda-feira (3), no Rio de Janeiro, com o comandante da Polícia Militar, o delegado-geral da Polícia Civil e o diretor da Superintendência-Geral da Polícia Técnico-Científica. A expectativa é que Castro entregue as informações detalhadas no encontro.

Com mais de uma centena de mortos, denúncias de violações de direitos humanos e possíveis execuções sumárias, a operação deflagrada por mais de 2,5 mil policiais militares e civis é considerada a mais letal da história do país, superando os 111 óbitos do Massacre do Carandiru, em 1992. 

Moradores das comunidades denunciaram abordagens violentas, prisões ilegais, invasões e destruição de residências. Também há relatos de decapitações. A ação tem sido amplamente denunciada por movimentos sociais, parlamentares e organizações da sociedade civil, tendo sido veiculada por veículos da imprensa internacional.

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  • Verônica Serpa

    Formada em Jornalismo pela UNESP e caiçara do litoral norte de SP. Acredito na comunicação como forma de emancipação para populações tradicionais e marginalizadas. Apaixonada por fotografia, gastronomia e hip-hop.

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