A Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu, nesta quarta-feira (29), um comunicado exigindo investigações rápidas, independentes e eficazes sobre a Operação Contenção, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes.
Além do recorde em letalidade policial, moradores das comunidades denunciaram abordagens violentas, prisões ilegais, invasões e destruição de residências. Também há relatos de decapitações, execuções e outras violações de direitos humanos. Parlamentares, organizações da sociedade civil e entidades defensoras de direitos humanos pedem apuração imediata e responsabilização do governador Cláudio Castro (PL).
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No comunicado da ONU, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, solicitou uma reforma abrangente dos métodos de policiamento utilizados pelo Brasil.
Turk afirmou que, apesar dos desafios de lidar com grupos criminosos violentos, as operações policiais possuem um longo histórico de mortes, afetando a população negra de forma desproporcional. Segundo ele, isso levanta questões sobre a maneira como são conduzidas as ações.
O Alto Comissário ressaltou que o combate ao racismo sistêmico contra as pessoas negras no Brasil é fundamental e destacou que a maioria das vítimas de letalidade policial é negra.
Maior operação policial do Brasil ganha repercussão internacional
A ação, que mobilizou 2,5 mil policiais militares e civis, é considerada a maior chacina policial do país e acumula denúncias e protestos. ONGs, entidades de direitos humanos, organizações do movimento negro e parlamentares cobram a responsabilização do governador Cláudio Castro pelo massacre.
O caso ganhou destaque em jornais de diversos países, como o The Guardian. O veículo inglês ouviu o jornalista Rene Silva, diretor e fundador do Voz das Comunidades. À reportagem, o comunicador destacou a ineficácia da insistência de Castro em realizar incursões violentas nas comunidades periféricas do Rio.
Já o jornal estadunidense The Sun descreveu o ocorrido como “zona de guerra” e destacou a fala do Alto Comissário da ONU sobre as consequências das operações nas populações marginalizadas.
A reportagem do francês Le figaro contou com a participação do líder comunitário e diretor do Instituto Papo Reto, Raull Santiago, que relatou possíveis casos de execução entre os mortos.