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‘Onde já se viu um tiro arrancar a cabeça?’: moradores chamam operação no RJ de ‘carnificina’

Ação policial já contabiliza mais de 120 mortes; moradores relatam que corpos encontrados tinham marcas de tortura.
Corpos resgatados por familiares na operação "Conteção", no RJ

Corpos resgatados por familiares na "Operação Conteção". 29 de outubro de 2025. Rio de Janeiro.

— Augusta Lunardi/Alma Preta.

29 de outubro de 2025

Moradores dos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, relatam mortes com faca e decaptações durante a Operação Contenção da Polícia do Rio de Janeiro na última terça-feira (28).

A operação policial matou mais de 120 pessoas — a mais letal da história do Rio de Janeiro. O número total de vítimas ainda está em atualização.

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Relatos dados à jornalista Augusta Lunardi apontam que os corpos resgatados e levados para Praça São Lucas, no centro da Penha, tinham sinais de tortura e uma vítima foi encontrada sem cabeça.

“Eles foram pegos com vida e foram tudo executados com faca, foram amarrados. Tem um ali que eles cortaram a cabeça. Onde já se viu um tiro arrancar a cabeça? Eles cortaram a cabeça e penduraram em cima de uma árvore pra deixar de prêmio”, disse um morador.

O mesmo morador informou que familiares foram recebidos a tiros ao tentar resgatar os corpos de parentes.

“Tentamos subir para resgatar os corpos e deram tiros na gente. Um monte de cidadão desarmado, mulher, família das vítimas… Deram tiros na gente, jogaram gás de pimenta. Só sabem fazer isso: abuso de poder. Carnificina pura”, definiu.

Um segundo morador, que não vamos identificar por questões de segurança, criticou a ação e defendeu o investimento de políticas de educação e esporte nas comunidades.

“A polícia não pode ser só matar. Vai mudar o que? Mudou o que? Estão mortos. Não investem em educação, em esporte na comunidade. Tantos projetos que podem fazer para crianças, mas não investem. Investem só em matar”, desabafa.

Resgate de mais de 60 corpos não registrados oficialmente

Destruição nas ruas do complexo da Penha após a “Operação Contenção”, da Polícia do Rio de Janeiro. 29 de outubro de 2025. Rio de Janeiro. Foto: Augusta Lunardi/Alma Preta.

Considerada a operação mais letal do Rio de Janeiro, a ação já contabilizou 64 mortes oficiais, sendo que quatro policiais estão entre as vítimas.

Durante a madrugada e na manhã desta quarta-feira (29), moradores dos complexos resgataram mais de 60 corpos de uma região de matagal que não foram contabilizados oficialmente pela operação.

Ainda não há informações se todos os mortos estavam envolvidos com organizações criminosas.

Chacina supera Massacre do Carandiru

O número total de vítimas supera o Massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 homens sob a tutela do Estado foram assassinados na antiga Casa de Detenção, em São Paulo.

A Operação Contenção, realizada nos complexos de favelas do Alemão e da Penha, também contou com a participação do Ministério Público Estadual.

Segundo a informação oficial, o objetivo era capturar lideranças criminosas do Rio e de outros estados para combater a expansão territorial da facção Comando Vermelho.

Ainda conforme a Polícia Civil, 81 pessoas foram presas, além de diversas armas, drogas e rádios comunicadores apreendidos.

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  • Augusta Lunardi

    Jornalista formada pela Universidade Paris 8 e mestre em Jornalismo Audiovisual no Centro de Formação de Jornalistas, em Paris. Trabalhou por dois anos em Paris como videorrepórter para os canais franceses Cnews e France 24. No Rio de Janeiro, trabalhou como freelancer para produtoras francesas realizando reportagens sobre política, meio-ambiente, direitos humanos e temas sociais. Esteve na linha de frente da cobertura da pandemia de COVID-19 trabalhando como freelancer para canais franceses. Mais recentemente, participou como videorrepórter temporada 2021 do Profissão Repórter, da TV Globo. Atualmente, é repórter e videorrepórter para veículos brasileiros e franceses.

  • Dindara Paz

    Baiana, jornalista e graduanda no bacharelado em Estudos de Gênero e Diversidade (UFBA). Me interesso por temáticas raciais, de gênero, justiça, comportamento e curiosidades. Curto séries documentais, livros de 'true crime' e música.

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