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Comunidades de 10 países apresentam no Rio métodos de produção de dados em territórios marcados pela violência

Seminário na Fiocruz reúne organizações do Quênia, Palestina, Colômbia, Alemanha e Brasil para discutir como a geração de dados sobre violência e direitos visibilizam conflitos e disputam políticas públicas
A imagem mostra a favela da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro.

A imagem mostra a favela da Rocinha, na cidade do Rio de Janeiro.

— Tercio Teixeira / AFP

10 de março de 2026

Lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes de órgãos públicos de dez países se reúnem nos dias 26 e 27 de março no auditório de Bio-Manguinhos, na Fiocruz, Rio de Janeiro, para o seminário internacional “Produzindo Dados, Tornando Experiências Visíveis: Práticas de Quantificação e Intercâmbios Metodológicos Sul-Norte”. 

O encontro debaterá temas como a relação entre a produção de dados centralizada pelo Estado e a geração horizontal de informações por comunidades; os ativismos e a produção de dados étnico-raciais; a violência de Estado e a geração cidadã de dados; a dimensão política da técnica e o papel dos números nas disputas públicas; e as estratégias de resistência e de produção de evidências em contextos marcados pela violência.

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Participam do evento representantes de iniciativas como a Pawa254, no Quênia; We Are Not Numbers, na Palestina; Cormepaz, na Colômbia; e Afrozensus, na Alemanha, além de organizações de Uganda, Portugal e Estados Unidos. O objetivo é analisar como práticas de quantificação podem visibilizar conflitos e fortalecer a luta por direitos ou, em sentido oposto, reforçar desigualdades e estigmas.

Segundo os organizadores, o seminário parte da constatação de que organizações territoriais e movimentos sociais têm desenvolvido metodologias próprias de produção de dados em contextos marcados pela escassez de registros oficiais do Estado. 

A iniciativa resulta de parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz); o projeto InfoCitizen, da Universidade de Antuérpia (Bélgica); o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF); e a Redes da Maré, organização comunitária do Conjunto de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro.

A Redes da Maré atua na garantia de direitos e desenvolve metodologias próprias de produção de dados sobre violência e operações policiais no território. O GENI-UFF produz conhecimento sobre mercados informais, violência, segurança pública e encarceramento para subsidiar políticas públicas. O projeto InfoCitizen investiga como organizações territoriais utilizam a produção de dados como estratégia de resistência.

Diálogo entre saberes

Alexandre Paiva Rio Camargo, pesquisador da COC/Fiocruz, integrante do projeto InfoCitizen e um dos organizadores do seminário, afirmou que o evento promove um diálogo inédito entre representantes de institutos de estatística, movimentos sociais e organizações não-governamentais de diferentes países.

“Trata-se de um diálogo entre representantes de institutos de estatística, movimentos sociais e organizações não-governamentais de diferentes países para entender quais são as experiências mais marcantes e o que se pode aprender com elas”, explicou.

Segundo o pesquisador, os dados produzidos por essas organizações também são importantes para instituições públicas, pois ajudam a compreender melhor as condições de vida da população e a formular políticas mais precisas, seja na área da saúde ou da segurança pública.

Para participar do seminário é necessário se inscrever até o dia 25 de março, neste link. O evento contará com transmissão ao vivo pelo YouTube da Casa de Oswaldo Cruz.

Serviço

Seminário internacional “Produzindo Dados, Tornando Experiências Visíveis: Práticas de Quantificação e Intercâmbios Metodológicos Sul–Norte”

Quando: 26 e 27 de março de 2026

Horário: 9h às 16h30

Onde: auditório de Bio-Manguinhos, Fiocruz, Rio de Janeiro

As inscrições devem ser realizadas neste link.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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