Durante a Conferência de Bonn, na Alemanha, organizações do movimento negro se mobilizam de forma coletiva para acompanhar as reuniões que definem os rumos da Conferência das Partes (COP 30), que acontece em novembro, no Brasil. Para além da experiência internacional, as instituições reforçam o compromisso com a agenda racial que historicamente é invisibilizada no debate sobre justiça climática.
Durante cinco dias, profissionais da Alma Preta estarão na cidade alemã para realizar a cobertura in loco, cobrindo pautas fundamentais para a comunidade negra no Brasil, como financiamento climático e adaptação climática. Além da agência de jornalismo, CEERT, Geledés, Perifa Sustentável, Peregum, Criola e o Movimento Negro Evangélico são organizações negras que marcam presença.
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Em conversa com a diretora de Estratégias e Áreas do Instituto de Referência Peregum, Beatriz Farrugia, o evento é uma oportunidade para que todas as organizações negras, que têm se dedicado a estar nesses espaços, influenciem nas negociações a partir das demandas do Movimento Negro Brasileiro. “É importante reafirmar que sem discutir a questão racial e o impacto do racismo em um contexto de emergência climática, estaremos deixando para trás as maiores vítimas”, afirma a diretora.
Beatriz conta que o Peregum iniciou diálogos desde o começo do ano com a diplomacia brasileira e os representantes ministeriais com o objetivo de incidir prioritariamente na pauta da adaptação climática do ponto de vista da adoção de protocolos para a necessária proteção das vidas, do atendimento habitacional e da permanência da população negra.
Dentro das temáticas que transversalmente abordam a questão racial, o debate sobre adaptação climática se coloca como uma das prioridades nesta perspectiva.
De acordo com Daniel Teixeira, diretor executivo do CEERT, a organização investe em participar na conferência, pois a mesma contribui para que as pessoas negras estejam no centro das estratégias para cumprimento das metas climáticas, sobretudo considerando a meta global de adaptação, citada no artigo 7o do Acordo de Paris e o Plano Nacional sobre o Clima (PNMA).
Ele ainda comenta que a expectativa durante o encontro é que haja um avanço no documento que existe para mensurar as metas globais de adaptação. “As metas são estritamente locais em relação ao contexto, mas precisam ter uma perspectiva interseccional considerando as questões econômicas de raça e gênero a partir de um protagonismo, pois são essas que sofrem as questões e as consequências, mas que não são responsáveis por essas mudanças”, explica.
Apesar de ser um evento menos popularmente conhecido do que a COP, a Conferência de Bonn é estritamente importante para o processo de combate à crise climática em uma perspectiva global. Assim como salientou Daniel, a discussão sobre Adaptação Climática Global (GGA) será um dos principais pontos do encontro e que circundam as comunidades negras no sul global.