PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Conheça Baltasar, o rei mago negro que presenteou Jesus

Baltasar, um dos três reis magos que presentearam Jesus, é associado ao Reino do Congo; padre da Igreja do Rosário dos Pretos de Salvador acredita que o rei mago representa a força de Deus para toda humanidade
Fiéis católicos prestam homenagens às imagens dos três reis magos Gaspar, Baltasar e Melchior na igreja de Cajititlan, em Tlajomulco de Zuniga, no México, 5 de janeiro de 2024

Fiéis católicos prestam homenagens às imagens dos três reis magos Gaspar, Baltasar e Melchior na igreja de Cajititlan, em Tlajomulco de Zuniga, no México, 5 de janeiro de 2024

— Ulises Ruiz/AFP

25 de dezembro de 2025

O Natal, dia 25 de dezembro, é o principal feriado católico no Brasil, momento em que se celebra o nascimento de Jesus Cristo. A imagem mais popular desse momento é um presépio, com Maria e seu filho, Jesus, rodeado de pessoas, entre elas os três reis magos.

Baltasar é conhecido pela tradição cristã como um dos três reis magos que foram até Belém, cidade a 10 km ao sul de Jerusalém, para presentear o recém-nascido. Em um texto assinado por um monge e historiador que viveu entre os séculos VII e VIII, onde hoje é a Inglaterra, Baltasar é descrito como um homem negro.

Quer receber nossa newsletter?

Você encontrá as notícias mais relevantes sobre e para população negra. Fique por dentro do que está acontecendo!

Naquela noite, Jesus recebeu três presentes: ouro, incenso e mirra, uma espécie de perfume, essa última oferecida por Baltasar. Os outros dois ficaram conhecidos pela tradição católica como Belchior e Gaspar. 

Os evangelhos, textos sagrados, que abordam o nascimento de Jesus são registrados pelos apóstolos Mateus e Lucas. O mais célebre é o escrito por Mateus, conhecido como “Folias de Reis”.

Outro elemento que fortalece a dimensão de que eram três reis magos é de que os restos mortais deles estão juntos, na catedral de Colônia, na Alemanha. Os restos mortais estariam lá desde 1164, e foram levados depois da guerra de conquista do império romano sobre Milão.

Baltasar representa um cristianismo universal

O artigo “Representando São Baltazar: o Rei Mago negro”, escrito pelo pesquisador Luiz Gustavo Souza, apresenta a influência que Baltazar gerou sobre os católicos negros no Brasil. Esses santos e essas figuras eram populares entre os escravizados negros, como é o caso de São Benedito, figura importante para a igreja do Rosário, e Baltasar, que se acreditava ser o rei do Congo. Ele era representado em quadros entre 1808 e 1850 como “São Baltasar Rei do Congo, um dos Três Reis Magos”.

Capelão da Igreja do Rosário dos Pretos de Salvador, o padre Lázaro Muniz acredita que a figura dos três reis magos, entre elas a de um homem negro, é uma forma de demonstrar a força de Deus para toda a humanidade.

“Todos os homens, todas as mulheres, todos os povos foram criados à imagem e à semelhança do Senhor. Então, ter um negro na dinâmica do presépio é um sinal muito profundo e eloquente dessa presença de um Deus que toca a humanidade na sua totalidade”, explica.

Para ele, a presença de um rei mago negro, no caso, Baltasar, é a inclusão do sujeito negro nos significados do cristianismo.

“Se em algum momento deixamos de fora os negros, hoje já não cabe mais. Se em algum momento alguma etnia ficou excluída, hoje já não cabe mais. Se em algum momento esquecemos alguma ou desprezamos alguma cultura, hoje já não cabe mais, porque cultura é a expressão do povo, é a construção de um povo com toda a sua estrutura moral, econômica, social, costumes, ética, enfim, todos esses elementos estão presentes aí. Então que Baltazar nos ensine sempre mais a viver, que os magos nos levem sempre a contemplar a estrela do Oriente, que é Jesus”, conta.

Apoie jornalismo preto e livre!

O funcionamento da nossa redação e a produção de conteúdos dependem do apoio de pessoas que acreditam no nosso trabalho. Boa parte da nossa renda é da arrecadação mensal de financiamento coletivo.

Todo o dinheiro que entra é importante e nos ajuda a manter o pagamento da equipe e dos colaboradores em dia, a financiar os deslocamentos para as coberturas, a adquirir novos equipamentos e a sonhar com projetos maiores para um trabalho cada vez melhor.

O resultado final é um jornalismo preto, livre e de qualidade.

  • Pedro Borges

    Pedro Borges é cofundador, editor-chefe da Alma Preta. Formado pela UNESP, Pedro Borges compôs a equipe do Profissão Repórter e é co-autor do livro "AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar", vencedor do Prêmio Jabuti em 2020 na categoria Artes.

Leia mais

PUBLICIDADE

Destaques

Cotidiano