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Ketleyn Quadros se aposenta e deixa legado transformador no judô feminino

Primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em uma modalidade individual, judoca deixa as competições após quase duas décadas na Seleção e dois pódios olímpicos
A judoca Ketleyn Quadros durante entrevista coletiva durante as Olimpíadas de 2024, Paris, 5 de agosto.

A judoca Ketleyn Quadros durante entrevista coletiva durante as Olimpíadas de 2024, Paris, 5 de agosto.

— Solon Neto/Alma Preta

23 de julho de 2026

A judoca Ketleyn Quadros anunciou sua aposentadoria das competições após quase 20 anos na Seleção Brasileira. A atleta encerra a carreira como um dos principais nomes da história do esporte nacional e dona de um legado que mudou o lugar das mulheres no judô brasileiro.

Natural de Ceilândia (DF), Ketleyn entrou para a história em 11 de agosto de 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim, ao conquistar a medalha de bronze na categoria até 57 kg. 

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O resultado fez dela a primeira mulher brasileira a subir ao pódio olímpico em uma modalidade individual e garantiu ao judô feminino sua primeira medalha em Jogos Olímpicos.

Dezesseis anos depois, a brasiliense voltou ao pódio olímpico ao conquistar o bronze por equipes mistas nos Jogos de Paris 2024. Com isso, tornou-se a atleta brasileira com o maior intervalo entre duas medalhas olímpicas: 16 anos.

Em nota divulgada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Ketleyn afirmou que sua maior conquista ultrapassou os resultados obtidos no tatame.

“Com o passar dos anos, eu percebi que o maior significado daquela conquista de 2008 não estava apenas na medalha em si, e sim nas portas que ela ajudou a abrir. Se hoje mais meninas acreditam que podem chegar lá, se mais mulheres ocupam espaços que antes pareciam distantes, sinto que minha missão foi muito maior do que qualquer resultado”, declarou a atleta.

Ao longo da carreira, Ketleyn disputou mais de 400 lutas pela Seleção Brasileira e representou o país nos principais torneios do circuito internacional.

Além das duas medalhas olímpicas, conquistou uma prata e dois bronzes em Campeonatos Mundiais por Equipes, seis medalhas em Campeonatos Pan-Americanos, oito medalhas em Grand Slams, oito em Grand Prix, cinco em etapas da extinta Copa do Mundo e um bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023.

Leia mais: ‘Mudei o patamar da idade no judô’: Ketleyn Quadros celebra 30 anos na modalidade e mira em transição de carreira

Três Olimpíadas e a honra de carregar a bandeira do Brasil

A conquista em Pequim 2008 representou um divisor de águas para o esporte brasileiro. Até então, nenhuma mulher do país havia conquistado medalha olímpica em uma modalidade individual.

Na disputa pelo bronze, Ketleyn venceu quatro das cinco lutas que realizou, superando adversárias como a espanhola Isabel Fernández e a japonesa Aiko Sato.

O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley Teixeira, afirmou que a trajetória da atleta ultrapassa os resultados esportivos.

“Sua conquista olímpica foi um marco para o esporte e um símbolo de inspiração para milhares de meninas que passaram a acreditar que também poderiam chegar ao mais alto nível. Mas seu legado vai muito além das medalhas: está na dedicação, na perseverança, no exemplo e na forma como sempre representou nosso esporte”, enalteceu.

Após Pequim, Ketleyn voltou aos Jogos Olímpicos em Tóquio 2020, desta vez na categoria até 63 kg, onde terminou na sétima colocação.

Em Paris 2024, integrou a equipe brasileira que conquistou a medalha de bronze na disputa por equipes mistas, resultado inédito para o país.

Entre uma Olimpíada e outra, recebeu outra homenagem histórica: foi escolhida como porta-bandeira da delegação brasileira na cerimônia de abertura dos Jogos de Tóquio. Ela tornou-se a primeira mulher judoca a carregar a bandeira do Brasil em uma edição olímpica.

Nova etapa fora do tatame

Ketleyn afirmou que deixa o esporte de alto rendimento com sentimento de gratidão e de missão cumprida.

“Eu encerro esse ciclo com o coração em paz. Tenho profunda gratidão à minha família, aos meus treinadores, aos clubes que me acolheram, aos companheiros de equipe, aos profissionais que caminharam ao meu lado, aos torcedores e a todos que acreditaram em mim. Nada disso foi construído sozinha.”

A ex-atleta concluiu recentemente o Curso Avançado de Gestão Esportiva, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), e integra a Comissão de Atletas da entidade.

Segundo Ketleyn, a aposentadoria das competições não representa o fim da relação com o esporte.

“O judô se tornou parte de quem eu sou. Agora, levo tudo o que aprendi para os próximos capítulos da minha vida e sigo com a mesma paixão, os mesmos valores e a mesma vontade de contribuir para que o esporte continue transformando vidas, assim como transformou a minha”, concluiu.

Leia mais: Protagonistas, atletas negras se destacam nas vitórias do Brasil nas Olimpíadas de Paris

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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