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Responsável por desastre ambiental em Maceió, Braskem participa de painéis na COP30

Empresa apresenta propostas de descarbonização e bioeconomia em Belém; Observatório do Caso Braskem questiona discurso de sustentabilidade
Entrada principal da mineradora Braskem, na lagoa de Mundaú, em Maceió (AL).

Entrada principal da mineradora Braskem, na lagoa de Mundaú, em Maceió (AL).

— Joédson Alves/Agência Brasil

13 de novembro de 2025

A Braskem anunciou participação em dois painéis oficiais da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), nesta quinta (13) e sexta-feira (14). Os debates ocorrem às 15h, no Espaço da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na Blue Zone. Os temas são “Bioeconomia Brasileira e o Carbono Sustentável” e “Caminhos para a Descarbonização da Indústria Química”.

No site institucional, a empresa afirma que “a indústria faz parte da solução” e destaca investimentos em polímeros de origem renovável e metas de descarbonização até 2030. No entanto, a empresa ignora a responsabilidade pelo crime socioambiental urbano em Maceió (AL).

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O Observatório do Caso Braskem contesta a presença da companhia no evento. “É difícil confiar no discurso de sustentabilidade de uma empresa que traz marcada em sua história recente o maior desastre socioambiental e solo-urbano do mundo e agora ocupa o centro da COP30 para falar sobre o futuro industrial do planeta”, afirma Evelyn Gomes, idealizadora do Observatório.

O desastre em Maceió e as acusações de greenwashing

O colapso do solo em Maceió, provocado por décadas de extração de sal-gema pela Braskem, levou ao deslocamento de cerca de 60 mil pessoas e à destruição de cinco bairros inteiros. O desastre resultou no fechamento de 40 escolas e 12 unidades de saúde. Apesar das indenizações e acordos judiciais, o Observatório do Caso Braskem afirma que as comunidades seguem em vulnerabilidade social e econômica.

Evelyn Gomes, que participa da COP30 em Belém, aponta que o caso expõe o “abismo entre a narrativa corporativa e a realidade de quem vive as consequências”. Segundo Gomes, os impactos continuam com o aumento do custo de vida, o agravamento da gentrificação e a deterioração das condições urbanas.

Moradores deixam frases em suas casas após serem desalojados, nas proximidades da mina n°18 da mineradora Braskem, na lagoa de Mundaú, em 2023. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Observatório também critica o que chama de “autorregulação corporativa”, lembrando que a CPI da Braskem revelou falhas estruturais e omissões regulatórias.

“A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mostrou que a Braskem se autorregulou por anos. E a autorregulação não protege territórios, ela expõe territórios. Ela protege apenas a própria empresa, que continuou lucrando enquanto Maceió afundava.”

O Observatório do Caso Braskem alerta que os discursos de neutralidade de carbono e bioeconomia não podem ser dissociados de práticas reais de reparação e justiça climática. A organização defende que o futuro sustentável exige transparência, escuta da sociedade civil e a reconstrução justa dos territórios afetados.

O que é a COP?

A COP, ou Conferência das Partes, é um órgão da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), composta por 197 países. A entidade é o principal espaço deliberativo da ONU para a execução de medidas assumidas pelos países para reverter a crise climática.

O encontro acontece desde 1995 e teve sua primeira edição em Berlim, na Alemanha. Neste ano, a COP chega à sua 30ª edição e acontece pela primeira vez no Brasil, em Belém.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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