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Contratação de mulheres negras cresce, mas desigualdade salarial persiste

Levantamento do governo federal mostra que mulheres ganham, em média, 21,3% a menos que homens
Carteira de trabalho digital.

Carteira de trabalho digital.

— Marcelo Camargo/Agência Brasil

28 de abril de 2026

A contratação de mulheres negras (pretas e pardas) em estabelecimentos com 100 ou mais trabalhadores cresceu 29% entre 2023 e 2025. Já o crescimento do emprego no total de mulheres foi de 11%, indicando avanço no mercado de trabalho formal brasileiro, com ampliação da participação feminina e maior contratação de mulheres negras por grandes empresas.

Os dados são do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado na segunda-feira (27) pelos ministérios do Trabalho e Emprego e das Mulheres.

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O levantamento mostra que, embora o avanço do emprego feminino represente maior inclusão, a desigualdade salarial entre homens e mulheres ainda persiste.

O estudo aponta que, em 2025, as mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados — percentual superior ao registrado em 2023, de 20,7%. No momento da admissão, a diferença também aumentou: os salários das mulheres ficaram, em média, 14,3% abaixo dos dos homens, ante 13,7% em 2023.

Leia mais: Taxa de desemprego de jovens mulheres negras mobiliza rede nacional por trabalho digno

O relatório também analisou a massa de rendimento médio das mulheres, que passou de 33,7%, em 2023, para 35,2%, em 2025. Os dados indicam que, apesar da expansão das oportunidades, ainda há necessidade de avançar na equiparação salarial e em outros aspectos.

Durante a divulgação do documento, a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, destacou a importância do levantamento para promover a igualdade de gênero, racial e políticas públicas. 

“Trabalhamos para promover ações afirmativas e garantir que mulheres tenham melhores salários, que mulheres negras, que ainda seguem sendo aquelas que recebem os piores salários, recebam de acordo com o trabalho que exercem”, afirmou em nota à imprensa.

O relatório indica que a desigualdade salarial varia de acordo com o porte das empresas. Em estabelecimentos com até 250 empregados, a remuneração de admissão das mulheres se aproxima da dos homens, atingindo cerca de 90% de equivalência. Já nas companhias de maior porte, onde os salários são mais elevados, a diferença permanece mais expressiva. 

Em relação aos cargos de liderança, o levantamento aponta avanço na presença feminina, associado ao fortalecimento de políticas afirmativas nas empresas. O número de organizações com iniciativas desse tipo cresceu 12%, chegando a 13,7 mil.

No recorte por estados, Minas Gerais lidera na adoção de políticas de incentivo à contratação de mulheres, presente em 34,7% dos estabelecimentos. O Espírito Santo também se destaca ao registrar 11,6% das empresas com ações voltadas à contratação de mulheres vítimas de violência doméstica.

Os dois estados ainda concentram os maiores percentuais de políticas destinadas à contratação de mulheres LGBTQIAP+: 24,6% no Espírito Santo e 23,3% em Minas Gerais. 

Já Rondônia lidera nas iniciativas para contratação de mulheres com deficiência (27,1%), enquanto o Pará se sobressai nas políticas voltadas à inclusão de mulheres negras, com 24,8%.

Leia mais: Desigualdade salarial persiste entre mulheres negras e brancas no Ceará, aponta relatório

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  • Thayná Santana

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