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Entenda o papel da Conferência de Bonn, encontro crucial para a COP30 no Brasil

Assessor Internacional de Geledés Instituto da Mulher Negra, Gabriel Dantas, explica os desafios das conferências internacionais sobre o clima
Conferência de Bonn, na Alemanha.

Conferência de Bonn, na Alemanha.

— Divulgação/UNFCCC

19 de junho de 2025

A Conferência de Bonn, na Alemanha, é uma das principais etapas do debate climático a nível internacional. Apesar de não ser tão conhecida como a Conferência das Partes (COP), que terá sua 30ª edição no Brasil, as reuniões de junho são uma fase fundamental para as discussões acerca do combate à crise climática.

Assim como a COP, o evento acontece anualmente no meio do ano e as reuniões têm como foco principal assuntos que perpassam diariamente a vida da população negra, principalmente aquelas residentes do sul global. Assuntos como adaptação climática, financiamento, transição justa e as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC’s) estão sempre em voga.

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Em entrevista à Alma Preta, o assessor internacional de Geledés Instituto da Mulher Negra, Gabriel Dantas, contou sobre os desafios e dinâmicas das duas conferências. Elas fazem parte de um ciclo anual de reuniões que definem os compromissos que as nações têm.

Gabriel Dantas, assessor de Geledés Instituto da Mulher Negra, 17 de junho de 2025, Bonn, Alemanha (Foto: Victor Oliveira/Alma Preta)

Bonn e o seu papel dentro das etapas de negociações de adaptação e financiamento climático

De acordo com o assessor, dentro da Comissão das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC), a conferência de junho é importante por determinar assuntos que são discutidos nos outros espaços multilaterais, como é o do sistema de COP.

“Não há uma prioridade entre as duas, pois elas atuam de forma sistêmica justamente para que a convenção quadro consiga abarcar todas as temáticas que são discutidas aqui, principalmente em relação à transição justa, adaptação, mitigação e ao financiamento climático”, explica.

Perguntado sobre as dinâmicas dos temas que mais são citados dentro dos espaços de multilateralismo internacional, Gabriel comenta sobre a adaptação climática e o financiamento climático. As duas pautas vêm sendo amplamente discutidas entre as nações durante o evento, que prevê um amplo desdobramento para a COP30.

O assessor explica que a demanda de resiliência climática é amplamente discutida nesses espaços. “O termo adaptação climática se refere em como podemos pensar na melhora da situação de alguns territórios que já sofrem com, por exemplo, falta de saneamento, pobreza, saúde e moradia”, afirma. “Quando falamos em adaptação, pensamos em eixos que promovam a infraestrutura dos serviços e direitos básicos, principalmente em relação às que sofrem com os impactos do racismo ambiental”, completa Gabriel.  

Para ele, essa dinâmica de desigualdade em relação à adaptação torna a pasta de financiamento fundamental, pois se enquadra em como os países podem viabilizar essas medidas, ou seja, implementá-las da melhor maneira. “Precisamos incidir e representar a população negra para garantir que os conteúdos dos textos de negociação reflitam de fato na vida das pessoas”, pontua o assessor.

Por outro lado, o profissional cita que dentro do sistema da UNFCCC, um dos maiores princípios orientadores é justamente o de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, para apontar a necessidade dos países envolvidos, principalmente no norte global, de que eles tenham uma responsabilidade maior na questão de financiar e de concretizar essas medidas para combater as mudanças climáticas. 

De Bonn a COP30: o que impacta a comunidade negra?

Apesar da importância do financiamento climático, Gabriel revela que não há uma esperança de desdobramento e avanço em relação à pasta. Na oportunidade, ele revela dois pontos centrais que impactam diretamente a comunidade negra: o Plano de Ação de Gênero e o Objetivo Geral de Adaptação (GGA). 

De acordo com o assessor, o Plano de Ação de Gênero tem grande interesse pelos estados membros em Bonn. “Eles querem que aqui se defina o documento em sua grande maioria para que chegue em Belém totalmente definido”.

Já em relação ao GGA, que tem influência direta na população negra, Gabriel aponta que estão sendo decididos os indicadores, a partir dos grupos temáticos de estudo como saúde, pobreza e infraestrutura. “Isso é muito importante porque serão nortes para decidir a dinâmica do financiamento climático, ou seja, para onde ele irá e com qual quantia”, resume.

Apesar da promixidade da Conferência das Partes, que será em novembro em Belém (PA), as dinâmicas de negociação em Bonn têm uma celeridade reduzida devido à diversidade e à quantidade de países membros. Por isso, as organizações brasileiras estão envolvidas em outros espaços de decisão internacional. Na próxima semana, o Instituto Geledés da Mulher Negra estará em Sevilha, na Espanha, para acompanhar a quarta Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento.

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  • Victor Oliveira

    Jornalista formado pela Unesp e pós-graduando em Jornalismo Digital. Atualmente é Gerente de Projetos da Alma Preta Jornalismo.

  • Elaine Silva

    Possui formação em Administração de empresas e Gestão Financeira na UNIESP e Anhembi Morumbi, é responsável pela análise, gestão, controle contábil, planejamento estratégico de negócios, desenvolvimento institucional e captação de recursos para organizações e empresas. Fundadora da Black Adnetwork, Sócia Diretora da Alma Preta Jornalismo, Cofundadora do Instituto Fala, Conselheira Titular do Conselho Nacional Pela Igualdade Racial (CNPIR), Conselheira Consultiva nas organizações Tornavoz, Alafia, Sleeping Giants e DiversaCom. Diretora financeira nas empresas: Instituto Matizes, Diver.ssa e Nós Mulheres da Periferia.

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