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Estudo: 60% das favelas não recebem obras de prevenção de riscos climáticos

Levantamento realizado pela ONG Teto Brasil revela violação de direitos nas favelas e comunidades inviabilizadas e os impactos a crise climática
Favela do Moinho, no centro da capital paulista, em 25 de junho de 2025.

Favela do Moinho, no centro da capital paulista, em 25 de junho de 2025.

— Rovena Rosa/Agência Brasil

13 de outubro de 2025

A organização TETO Brasil e o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper lançam, nesta terça-feira (14), em Brasília, a segunda edição do Panorama Climático das Favelas e Comunidades Invisibilizadas. O evento será realizado às 8h30, no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/UnB), para apresentar dados que evidenciam a violação de direitos e ao mesmo tempo contribuam para políticas públicas de enfrentamento à crise climática.

O estudo mapeou 119 comunidades em 51 municípios de todas as regiões do Brasil ao longo de 2025. As áreas pesquisadas compartilham características de extrema precariedade: ausência de moradias seguras, falta de saneamento básico, acesso limitado à água tratada e à energia elétrica, além de riscos frequentes de deslizamentos, enchentes e exposição a vetores de doenças.

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Segundo o levantamento, 69% das comunidades não têm acesso à rede de saneamento básico e 70% não contam com sistemas de drenagem pluvial, o que agrava os impactos de eventos climáticos extremos, como enchentes. Além das perdas materiais, esses fatores afetam diretamente a saúde, segurança, alimentação e estabilidade financeira dos moradores.

O estudo também aponta a percepção dos próprios moradores diante das mudanças climáticas,  86% relatam medo constante de eventos climáticos extremos, todos registrados ao menos uma vez desde janeiro de 2024. Entre os fenômenos mais citados estão ondas de calor intenso (71%), tempestades e vendavais (56%), enchentes (54%), além de ondas de frio e falta de água (50%).

Para Camila Jordan, diretora de Relações Institucionais e Incidência da TETO Brasil, o estudo representa um marco na forma de abordar a crise climática. 

“Este estudo traz uma visão e perspectiva inovadora e de extrema importância para a discussão das mudanças climáticas, que é como as comunidades e favelas mais afetadas percebem os impactos e quais soluções desenvolveram para a sua própria sobrevivência frente ao vazio do Estado”, afirma em comunicado à imprensa.

A pesquisa busca ampliar o volume de dados sobre populações frequentemente ignoradas por levantamentos oficiais, oferecendo uma base concreta para orientar decisões do poder público e ações da sociedade civil. 

A versão completa do Panorama Climático das Favelas e Comunidades Invisibilizadas estará disponível a partir desta terça-feira (14) no site do projeto.

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  • Thayná Santana

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