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‘Exclusão territorial é uma das consequências do racismo’, diz liderança quilombola

Problemas territoriais afetam principalmente os povos tradicionais e as pessoas que vivem nas periferias

16 de dezembro de 2019

“O racismo está presente na sociedade desde a divisão territorial que exclui a população negra em detrimento de outras”. É o que alerta Denildo Rodrigues, liderança da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), que participou do 1º Encontro Internacional da Coalizão Negra Por Direitos, em novembro, em São Paulo (SP).

Denildo Rodrigues faz parte do Quilombo de Ivaporunduva, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A região é conhecida pela alta preservação da biodiversidade e pela agricultura familiar, que consiste na produção de alimentos naturais sem adição de agrotóxicos.

Para ele, os problemas territoriais também afetam as grandes cidades, que dependem do trabalho desenvolvido pelas comunidades tradicionais. “Nos centros urbanos, as pessoas precisam de alimentos saudáveis que são produzidos no campo. Nossa tarefa é fazer com que a sociedade entenda que as questões territoriais dizem respeito a todos”, explica.

Um dos desafios do movimento negro é chamar atenção para o fato de que a exclusão territorial não atinge somente as populações rurais como também as pessoas negras e pobres que vivem nas periferias. Denildo Rodrigues lembra que essa divisão territorial é resultado do processo de abolição da escravatura.

“O povo negro foi libertado sem o direito ao território. Por não ter condições de viver nas áreas centrais, essa população se concentrou nas favelas. Então, ao vermos uma ocupação [habitacional] como a Nove de Julho – majoritariamente negra – e a violência policial nas periferias, a exclusão territorial provocada pelo racismo fica evidente”, conta, fazendo menção do local do encontro.

Articulação pelo direito ao território

Nos dias 29 e 30 de novembro, a Coalizão Negra Por Direitos, entidade que reúne organizações do movimento negro na defesa dos direitos da população negra, reuniu centenas de pessoas na Ocupação 9 de Julho em São Paulo, com a companhia de outras inúmeras entidades da América Latina, EUA e África do Sul.

A organização cumpre um papel fundamental a nível nacional para amplificar a voz da luta pelo direito ao território. Segundo Eliete Paraguassu, do Movimento de Pescadoras e Pescadores Artesanais da Bahia, por muitos anos as reivindicações das comunidades tradicionais estavam aquém de outras lutas do movimento negro.

“A criação da Coalizão possibilitou o acolhimento de diferentes necessidades da população negra, que era dividida para não ter força de lutar por seus direitos. Unidos conseguimos discutir a construção da defesa dos territórios onde a esperança não estava mais presente”, pontua.

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