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Faculdade de Direito da USP lança campanha para monumento à Juventude Negra e bolsas para estudantes

Iniciativa busca recursos após veto de docentes a verba inicial; obra de Jorge dos Anjos será instalada em campus erguido sobre antiga fazenda escravocrata
Prédio da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da Universidade de São Paulo (USP).

Prédio da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da Universidade de São Paulo (USP).

— Reprodução/FDRP

26 de agosto de 2025

A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP), da Universidade de São Paulo, iniciou uma campanha coletiva para viabilizar a instalação do primeiro monumento em homenagem à juventude negra no campus. A iniciativa surgiu após obstáculos internos que inviabilizaram o uso dos recursos inicialmente previstos para o projeto.

O monumento é de autoria do escultor Jorge dos Anjos, reconhecido internacionalmente por trabalhos que dialogam com a ancestralidade africana e a experiência negra no Brasil. A obra terá nove metros de altura e será posicionada na entrada da FDRP, transformando o espaço em um marco de memória, justiça racial e representatividade.

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Segundo os organizadores, o monumento será um espaço de memória viva, projetado para ressignificar o território universitário, erguido sobre antiga fazenda escravocrata. Ao homenagear a juventude negra, a universidade busca enfrentar o silenciamento histórico e reforçar seu compromisso com a luta contra o racismo estrutural.

A iniciativa conta com o engajamento de docentes, alunos e integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas Jurídico-Raciais Esperança Garcia (NUEPEG), que atua na defesa da equidade racial no campo jurídico.

História e reparação simbólica

O projeto ganha relevância diante do passado da universidade, que foi construída em pilares marcados pela exclusão racial. Durante décadas, a população negra enfrentou marginalização e descrédito dentro da instituição. Nesse contexto, a escultura é concebida não apenas como expressão artística, mas também como um ato político, pedagógico e reparador, inserindo a identidade negra em um espaço historicamente excludente.

Antes da instalação definitiva, Jorge dos Anjos produziu um modelo menor da escultura, que será enviado à Angola como gesto de cooperação entre a FDRP e a futura primeira Faculdade de Direito do país africano. A proposta simboliza a conexão cultural e histórica entre Brasil e África.

A mobilização em torno do monumento também busca arrecadar recursos para garantir o pagamento justo ao artista e destinar valores excedentes à criação de bolsas de estudo voltadas a estudantes negros da FDRP em situação de vulnerabilidade social.

As doações podem ser feitas por meio da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), que administra a campanha. Além do apoio à escultura, os recursos contribuirão com pesquisas jurídico-raciais e a promoção de ações afirmativas no campo acadêmico.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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