A Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP), da Universidade de São Paulo, iniciou uma campanha coletiva para viabilizar a instalação do primeiro monumento em homenagem à juventude negra no campus. A iniciativa surgiu após obstáculos internos que inviabilizaram o uso dos recursos inicialmente previstos para o projeto.
O monumento é de autoria do escultor Jorge dos Anjos, reconhecido internacionalmente por trabalhos que dialogam com a ancestralidade africana e a experiência negra no Brasil. A obra terá nove metros de altura e será posicionada na entrada da FDRP, transformando o espaço em um marco de memória, justiça racial e representatividade.
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Segundo os organizadores, o monumento será um espaço de memória viva, projetado para ressignificar o território universitário, erguido sobre antiga fazenda escravocrata. Ao homenagear a juventude negra, a universidade busca enfrentar o silenciamento histórico e reforçar seu compromisso com a luta contra o racismo estrutural.
A iniciativa conta com o engajamento de docentes, alunos e integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas Jurídico-Raciais Esperança Garcia (NUEPEG), que atua na defesa da equidade racial no campo jurídico.
História e reparação simbólica
O projeto ganha relevância diante do passado da universidade, que foi construída em pilares marcados pela exclusão racial. Durante décadas, a população negra enfrentou marginalização e descrédito dentro da instituição. Nesse contexto, a escultura é concebida não apenas como expressão artística, mas também como um ato político, pedagógico e reparador, inserindo a identidade negra em um espaço historicamente excludente.
Antes da instalação definitiva, Jorge dos Anjos produziu um modelo menor da escultura, que será enviado à Angola como gesto de cooperação entre a FDRP e a futura primeira Faculdade de Direito do país africano. A proposta simboliza a conexão cultural e histórica entre Brasil e África.
A mobilização em torno do monumento também busca arrecadar recursos para garantir o pagamento justo ao artista e destinar valores excedentes à criação de bolsas de estudo voltadas a estudantes negros da FDRP em situação de vulnerabilidade social.
As doações podem ser feitas por meio da Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), que administra a campanha. Além do apoio à escultura, os recursos contribuirão com pesquisas jurídico-raciais e a promoção de ações afirmativas no campo acadêmico.