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Brasil e Nigéria reforçam cooperação em visita presidencial de Bola Tinubu a Brasília

Presidentes assinaram acordos estratégicos em setores como aviação, ciência, tecnologia e comércio; Lula destacou retomada da parceria com o continente africano
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura de atos com o Presidente da República Federal da Nigéria, Bola Tinubu, no Palácio do Planalto, em Brasília.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de assinatura de atos com o Presidente da República Federal da Nigéria, Bola Tinubu, no Palácio do Planalto, em Brasília.

— Ricardo Stuckert / PR

25 de agosto de 2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (25) o presidente da Nigéria, Bola Tinubu, em visita de Estado ao Brasil. O encontro ocorreu no Palácio do Planalto e incluiu reunião privada, reunião ampliada com ministros dos dois governos, assinatura de atos bilaterais e declaração à imprensa.

Ainda nesta segunda-feira, Tinubu foi recebido pelos presidentes do Senado, da Câmara e do Supremo Tribunal Federal. O líder nigeriano e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) participaram do encerramento do Fórum Empresarial Nigéria-Brasil, realizado na sede do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Brasília.

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Brasil e Nigéria celebram, em 2025, 65 anos de relações diplomáticas. O Brasil foi o único país sul-americano convidado para a cerimônia de independência da Nigéria, em 1960, após quase um século de colonização britânica. Desde então, os dois países construíram parceria política e cultural, marcada pela forte presença da herança nigeriana na sociedade brasileira.

Nos últimos meses, houve avanços no diálogo bilateral. Em março, o chanceler Mauro Vieira visitou Abuja, e em junho o vice-presidente Geraldo Alckmin chefiou a delegação brasileira na II Sessão do Mecanismo de Diálogo Estratégico.

Acordos e memorandos

Durante a visita, Brasil e Nigéria firmaram quatro memorandos de entendimento. O primeiro trata da cooperação na formação de diplomatas; o segundo estabelece consultas políticas regulares entre os dois governos. Outro acordo prevê cooperação em ciência, tecnologia e inovação, com ênfase em biotecnologia, bioeconomia, energia, desenvolvimento espacial e transformação digital.

O quarto memorando foi assinado entre o BNDES e o Banco de Agricultura da Nigéria, com o objetivo de harmonizar esforços para ampliar o comércio e promover o desenvolvimento.

No setor de aviação, foi anunciado um acordo que permitirá a abertura de voo direto entre Lagos e São Paulo, operado pela companhia Air Peace, além de medidas para fortalecer a aviação civil internacional.

Lula destacou que, após anos de afastamento do continente africano, o Brasil busca retomar a cooperação. Ele ressaltou os acordos já firmados em defesa, agricultura, segurança, turismo e energia. 

“Nigéria e Brasil reafirmam sua aposta no livre comércio e na integração produtiva. São muitas as possibilidades de sinergias entre os dois maiores países de população negra do mundo”, afirmou segundo nota ministerial,

Tinubu ressaltou o interesse em ampliar a parceria em setores estratégicos. “Transferência de tecnologia, energia e economia são caminhos que podem beneficiar os dois países. Brasil e Nigéria estão aqui para crescer juntos”, declarou durante encontro.

Nigéria em perspectiva

A Nigéria é o país mais populoso da África, com cerca de 230 milhões de habitantes, e detém a maior economia do continente, baseada principalmente na exploração de petróleo e gás natural. Ex-colônia britânica, conquistou a independência em 1º de outubro de 1960.

Em 2024, a Nigéria ocupou a quarta posição entre os maiores parceiros comerciais do Brasil na África, com fluxo de US$ 2 bilhões (R$ 10,8 bilhões) — um crescimento de 20% em relação a 2023. O Brasil exporta majoritariamente açúcares e melaços (74%), enquanto as importações estão concentradas em fertilizantes (48%) e petróleo e derivados (48%).

De janeiro a julho de 2025, o comércio bilateral somou US$ 1,2 bilhão (R$ 6,5 bilhões). As exportações brasileiras atingiram US$ 654,9 milhões (R$ 3,5 bilhões) e as importações chegaram a US$ 591,7 milhões (R$ 3,2 bilhões), resultando em superávit de US$ 63,2 milhões (R$ 342,3 milhões) para o Brasil.

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  • Giovanne Ramos

    Jornalista multimídia formado pela UNESP. Atua com gestão e produção de conteúdos para redes sociais. Enxerga na comunicação um papel emancipatório quando exercida com responsabilidade, criticidade, paixão e representatividade.

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