O Instituto Marielle Franco, organização sem fins lucrativos, anunciou nesta segunda-feira (21) que Luayara Franco, filha de Marielle Franco, assumirá a direção-executiva da instituição. A decisão reforça a continuidade da luta por democracia, justiça social e direitos humanos, pilares centrais do legado deixado por Marielle, assassinada em 2018 no Rio de Janeiro.
Luyara é ativista e educadora física e cresceu acompanhando de perto a atuação política da mãe. Desde a fundação do instituto, ela esteve envolvida com suas principais frentes de atuação. Em entrevista à Alma Preta, a nova diretora compartilhou a importância desse novo momento em sua vida.
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“É dar continuidade a um trabalho que nasce da vida e da luta da minha mãe, mas que se tornou uma construção coletiva. Para mim, representa uma nova etapa da minha trajetória como mulher negra, favelada, ativista e filha da Marielle, com o compromisso de fortalecer ainda mais a missão do instituto: transformar o luto em luta e fazer com que a memória dela seja um instrumento de mobilização, cuidado e justiça”, destaca.
Próximas ações por memória e desafios
Entre os objetivos da nova gestão, Luyara destaca a construção de uma estratégia integrada para os próximos anos, com foco na liderança das mulheres negras e no fortalecimento da democracia.
“Defender a democracia e mobilizar a sociedade em torno de um projeto de futuro com justiça de gênero, climática, racial e social liderado por mulheres negras. Queremos fortalecer o ecossistema cívico brasileiro, reposicionando o IMF [Instituto Marielle Franco] como uma organização capaz de disputar narrativas na sociedade brasileira a partir da agenda programática das mulheres negras”, afirma.
Apesar do simbolismo da transição, o cenário político brasileiro impõe desafios.
“Vivemos um momento político complexo, marcado por avanços do conservadorismo e ataques à democracia e aos direitos humanos. O desafio é seguir sendo uma organização que não apenas reage, mas que lidera, que mobiliza, que cuida e que constrói alternativas. Estar à frente do Instituto nesse cenário significa manter a firmeza diante das violências, mas também cultivar esperança e possibilidades.”, destaca.
A continuidade do legado de Marielle
Luyara também enxerga sua nova função como uma forma de manter viva a memória da mãe e o impacto que ela teve em toda uma geração.
“Estar nessa posição é uma forma de honrar e reafirmar diariamente o legado de Marielle, não só como filha, mas como parte de uma geração que ela inspirou. É também um gesto coletivo — porque esse legado não é só nosso, é do povo preto, das mulheres periféricas, da luta LGBTQIA+, das famílias que seguem clamando por justiça. Assumir essa liderança é dizer que Marielle vive em cada passo que damos, e que vamos seguir firmes para que seu legado se transforme em políticas, memória viva e justiça real.”, aponta.
Entre as principais ações desenvolvidas pelo instituto estão o acompanhamento do caso Marielle e Anderson, a Escola Marielle de Comunicação, a Agenda Marielle Franco, o Festival Justiça por Marielle e Anderson, além de campanhas como “Não Seremos Interrompidas” e “Com violência política contra mulheres negras, cis e trans, não há democracia”, bem como iniciativas como a Plataforma Antirracista nas Eleições e o Mapa dos Coletivos.