A insegurança alimentar afeta principalmente os grupos mais vulneráveis, sendo que pessoas pretas e pardas estão entre as mais impactadas. Entre os domicílios com algum nível de privação alimentar, 70,4% tinham como responsáveis pessoas negras, sendo 54,7% pardas e 15,7% pretas.
Nos casos de fome mais grave, o cenário é ainda pior para os domicílios chefiados por pessoas pardas, que representam 56,9% dos lares nessa situação, mais que o dobro da parcela de domicílios cujo responsável era branco (24,4%).
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É o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC) do IBGE sobre segurança alimentar no país, divulgados nesta sexta-feira (10). A pesquisa é realizada por meio de uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
O estudo integra resultados de edições anteriores, como as de 2004, 2009 e 2023.
A proporção de domicílios com algum grau de insegurança alimentar no Brasil caiu de 27,6% para 24,2% entre 2023 e 2024, uma redução de cerca de 2,2 milhões de lares. No entanto, os dados seguem evidenciando desigualdades sociais, raciais e de gênero.
As mulheres também estão entre as mais afetadas. Em 59,9% dos domicílios em insegurança alimentar, as responsáveis eram mulheres, enquanto os homens eram responsáveis por 40,1%. No nível moderado de insegurança, esse índice é ainda maior, 61,9% dos domicílios estavam sob responsabilidade de mulheres, contra 38,1% de homens.
O nível de escolaridade também pode influenciar diretamente o grau de privação alimentar. Entre os domicílios em insegurança alimentar grave, 65,7% tinham responsáveis com, no máximo, o ensino fundamental completo. Por outro lado, 64,9% dos domicílios em segurança alimentar tinham responsáveis com, pelo menos, o ensino médio incompleto.
No recorte regional, o Norte e o Nordeste apresentam as maiores proporções de insegurança alimentar, com 37,7% e 34,8%, respectivamente.